14 maio, 2020
14 de maio: “A nossa fragilidade nos leva à oração e ao jejum”
“Neste momento da história há muitos pontos que são comuns à família humana, porém há um em particular: o sofrimento, que não conhece nacionalidade, religião, etnia”. Entrevista com o estudioso islâmico Cenap Aydin, fundador do Instituto Tevere para o Diálogo Inter-religioso
Neste momento de crise pela pandemia, chegou o momento de se dedicar à contemplação e à reflexão. Dia 14 de maio, será dedicado à oração e ao jejum e à invocação a Deus pela humanidade atingida pela pandemia, com a participação do Papa Francisco. A iniciativa nasceu do Alto Comitê para a Fraternidade Humana, formado por líderes religiosos que se inspiram no documento assinado em Abu Dhabi pelo Papa Francisco e o Grão-Imame de Al-Azhar, Al Tayyeb.
Entrevistamos Denap Aysin, de nacionalidade turca, diretor fundador do Instituto Tevere, Centro de diálogo intercultural e inter-religioso e especialista em islamismo para nos falar desta importante iniciativa.
Recordamos os pedidos de jejum e oração de São João Paulo II
“Esta iniciativa – explica Aydin – não é apenas para as pessoas de fé, mas para todos os seres humanos”. A atitude de Francisco, é uma “atitude muito inspirada. Sempre pediu aos fiéis, e não só aos fiéis, para rezarem principalmente pela paz, convida a todos para sentirem necessidade de paz, paz pelo bem-estar, pelo bem comum”. O dia de oração de 14 de maio cai em pleno Ramadã, o mês sagrado e de jejum para o Islã, um jejum que será de todos. Aydin recorda e não é a primeira vez, do convite de São João Paulo II pela paz na Bósnia massacrada pela guerra nos anos 1993 e 1994. E depois, cita o Angelus de 18 de novembro de 2001, quando o Papa Wojtyla convidava para um dia de jejum e oração, eram os dramáticos meses logo depois do atentado às Torres Gêmeas em Nova York, e também na época era tempo de Ramadã, explica, muçulmanos e católicos foram convidados a fazer um dia de jejum e oração juntos.
O estudioso continua: “Também agora, para o dia 14 de maio, estamos no Ramadã, mas o convite é mais alargado, dirigido a todos. Desta vez fazemos um passo adiante e o papel das religiões é muito claro porque agora os fiéis, mas principalmente os líderes religiosos, testemunham a unidade para que o mundo saiba que as religiões, fazendo parte da família humana, são diretamente envolvidas para encontrar soluções a esta crise e aos muitos problemas que afligem nossa humanidade”.
No Alcorão, Maria enfrenta o jejum da palavra
Para Cenap Aydin neste momento da história há muitos pontos que são comuns à família humana, porém há um em particular: o sofrimento, que não conhece nacionalidade, religião, etnia. As más notícias deste período nos fazem aproximar uns dos outros, nos fazem unir os esforços para uma solução imediata. O diretor do Instituto Tevere conclui seu pensamento dirigindo-se à Maria da história, a Maria deste mês mariano. “No Alcorão, capítulo 19, Maria, Maryam é convidada por Deus, segundo a tradição islâmica a observar o jejum, um jejum muito particular, o da palavra, ficar em silêncio quando nasce Jesus. Maria estava muito preocupada com a resposta que deveria dar ao seu povo, portanto vemos uma Maria, Maryam, que não fala, fica em silêncio, fazendo jejum, em oração, em contemplação, esperando uma resposta de Deus. Hoje, em uma outra situação, podemos recordar desta cena no Alcorão. Redescobrimos a nossa debilidade, descobrimos que somos tão frágeis, porém agora é nossa fragilidade que nos leva a estar reunidos de novo em oração, no jejum, no amor que nos abraça e, através da oração, ao amor de Deus”.
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Francesca Sabatinelli
Vatican News
13 maio, 2020
Live debate gestão das emoções em tempos de pandemia
Live debate gestão das emoções em tempos de pandemia
O bate-papo pode ser acompanhado no Instagram do complexo
hoteleiro Jurema Águas Quentes
O complexo Jurema Águas Quentes transmite na próxima
quinta-feira (14), a live ‘Gestão das emoções em tempos de pandemia’, em
parceria com a psicóloga Angelis Bogdanovicz Martins. O público está convidado
a participar enviando perguntas pela foto oficial publicada no Instagram
@juremaaguasquentes, via direct ou ainda pelos comentários da transmissão no
dia 14. A live acontece a partir das 19h.
O tema foi escolhido
por sua importância no atual cenário mundial, em que há uma preocupação com os
impactos psicológicos e emocionais da população por conta da pandemia,
principalmente devido à imprevisibilidade e ao isolamento social.
Para Marcos Vileski,
diretor Comercial e de Marketing do resort, a iniciativa tem foco no público.
“Estamos promovendo conteúdos de acolhimento às pessoas porque é o que fazemos
com nossos clientes. Como eles ainda não podem ser acolhidos aqui no resort por
conta da pandemia, estamos levando nosso conforto para cada um em suas casas”,
afirma.
Sobre a profissional
Angelis Bogdanovicz Martins é psicóloga, personal Executive
Coach desde 2009. Possui 14 anos de experiência na área de Recursos Humanos e é
autora dos livros ‘Novo Manual de Coaching’, e ‘Coaching no DNA’, de 2019,
ambos pela editora SerMais.
Serviço:
Data: 14/05
Horário: 19h
Tema: ‘Gestão das emoções em tempos de pandemia’
Instagram @juremaaguasquentes.
Notificações de coronavírus aumentam em Maringá após flexibilização do isolamento social, aponta estudo
Devido à subnotificação, pesquisa utiliza casos notificados por se tratarem de dados mais compatíveis com a realidade / Divulgação Agência Brasil
Por Murillo Saldanha - publicado em Maringá Posti, 13 de maio 2020.
Levantamento do Grupo de Estudos e Pesquisa Ambiente, Sociedade e Geotecnologias (Gepag), com apoio da Universidade Estadual de Maringá (UEM), mostrou que a média diária de casos notificados de pessoas que apresentaram sintomas de coronavírus em Maringá aumentou 263% entre 31 de março e 30 de abril.
O aumento de notificações coincide com a publicação de decretos municipais que flexibilizaram o isolamento social e permitiram a retomada de algumas atividades do setor econômico.
No estudo, os pesquisadores levam em consideração o que epidemiologistas têm alertado: as medidas tomadas surtem efeito após duas semana, aproximadamente. Dessa forma, o levantamento não leva em conta a abertura do comércio de rua em 20 de abril ou o decreto que autorizou celebrações religiosas e o funcionamento de shoppings, bares e restaurantes nesta semana.
Segundo a pesquisa, entre os dias 31 de março e 9 de abril, a média diária de casos notificados era de 22. A partir do dia 7 de abril, a prefeitura permitiu funcionamento de oficinas mecânicas e atendimento presencial em clínicas e consultórios médicos. Em 13 de abril, o município liberou o funcionamento de lotéricas e indústrias.
O estudo mostra que, entre os dias 10 e 21 de abril, o incremento médio diário de notificações subiu para 36. Duas semanas após a retomada dos serviços, entre 22 e 30 de abril, a média diária de casos notificados subiu para 80.
Para o professor do departamento de Geografia da UEM e coordenador do estudo, Oseias da Silva Martinuci, o aumento no número de notificações, o que representa a dispersão do vírus, pode estar ligado à flexibilização do isolamento social.
“As medidas adotadas em Maringá tiveram impacto nas notificações de alguma maneira. Mesmo que a situação pareça estar sobre controle, devemos olhar com certa cautela para avaliar se não está chegando em uma situação delicada. Vamos ter que avaliar, daqui há duas semanas, a abertura desses locais fechados com muita circulação de pessoas e fluídos corporais e verificar se a capacidade de circulação do vírus aumenta”, afirma o professor.
Oseias Martinuci explica que a pesquisa utiliza casos notificados por se tratarem de dados mais compatíveis com a realidade. Como apenas os casos graves são testados e algumas pessoas não apresentam sintomas, os números reais da doença são maiores que os casos confirmados. No Brasil, cientistas estimam que o número pode ser 14 vezes maior do que o registro oficial do Ministério da Saúde.
Grupo de geógrafos avaliou a estrutura da rede hospitalar
Na pandemia do novo coronavírus, uma dos principais alertas das autoridades é sobre a taxa de ocupação dos hospitais. No entanto, a estrutura da rede de saúde também é um fator preocupante. Outro levantamento do Grupo de Estudos e Pesquisa Ambiente, Sociedade e Geotecnologias (Gepag), com apoio da UEM, mostrou que 91,7% dos 399 municípios do Paraná não têm UTI.
Segundo o mapeamento, mais da metade das cidades paranaenses, 57%, não têm ventilador mecânico e que 36% não têm leito de nenhuma espécie. Os dados analisados são do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS), do Ministério da Saúde.
Entre as 30 cidades que compõem a Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep), apenas Maringá e Sarandi têm leitos de UTI. A estimativa é que na Amusep existem 2,97 leitos para cada 10 mil habitantes.
Na macrorregião noroeste, que reúne 113 municípios, além de Maringá e Sarandi, apenas outras quatro cidades tem leitos de UTI: Paranavaí, Umuarama, Campo Mourão e Cianorte. O professor da UEM e coordenador da pesquisa, Oseias da Silva Martinuci, destaca que, de acordo com o IBGE, aproximadamente 50% dos municípios considerados remotos estão na macrorregião noroeste.
O professor alerta que podem existir dificuldades no atendimento de casos de coronavírus nas cidades remotas. Ele explica que não se trata apenas da distância em relação aos grandes centros onde se concentram os leitos de UTI, mas que os pacientes podem precisar de atendimento em um momento que a rede hospitalar estiver mais comprometida devido a pandemia.
Por meio do geoprocessamento e da cartografia, os pesquisadores do Gepag monitoram a expansão do coronavírus. Segundo Oseias da Silva Martinuci, os dados levantados no interior do Paraná causam preocupação.
“Comparando com o Estado de São Paulo, a velocidade de difusão do vírus pelos municípios do Paraná está sendo notadamente maior. Na quarta semana, contada a partir do primeiro caso confirmado, o Estado teve quatro vezes mais municípios infectados que o estado de São Paulo. Lá foram 21 casos, enquanto o Paraná teve 84”, afirma Martinuci.
12 maio, 2020
Saudosismo infértil – Por Érica Daiane Mauri
Leiam e façam uma boa reflexão. Excelente texto
Saudosismo infértil – Por Érica Daiane Mauri
É comum ao ser humano, principalmente em períodos de maior
adversidade, um saudosismo de tempos mais propícios e menos dolorosos.
Entretanto, parece haver neste período de quarentena e restrições um saudosismo
inútil.
É frequente nos momentos de celebrações, sejam elas orações,
meditações, celebrações da Palavra e mesmo nas celebrações eucarísticas
realizadas e transmitidas pelas mídias sociais falas, ações e gestos que
expressam a saudade do período pre-pandemia. Muitos são os esforços para
retomar minimamente o ambiente vivido pelas nossas comunidades até dias atrás,
sejam fotos, mensagens, vídeos, o mesmo espaço litúrgico, congregar os
leitores, cantores, MECE, o seminarista... o mais próximo possível do habitual.
Se há nestes gestos uma tentativa de expressar cuidado e pastoreio, há também o
risco da fuga a um recente passado cada dia mais amalgamado numa perfeição e
glória.
A ordinária fala: “Que saudade de ter essa igreja cheia,
como é triste celebrar com os bancos vazios”. Reconheçamos que, na nossa
realidade eclesial, há muito não temos nossas igrejas cheias, celebrar para
vários bancos vazios era habitual para muitos sacerdotes, mas não me recordo de
nessas ocasiões lamentarem as ausências em suas celebrações. Ou então: “que
saudade do calor humano, logo estaremos juntos novamente”. Quantas de nossas
comunidades pre-pandemia tinham seus pastores “junto” a elas? Quantos destes se
permitiam dar ou receber “calor humano”? É provável que a fala se refira aos
atendimentos com hora marcada na secretaria; às “passadas” nas reuniões e
eventos; ao dia da semana para visita aos doentes; às refeições partilhadas com
seletos membros da comunidade paroquial atual ou não; aos cumprimentos na porta
da igreja... tudo dentro da aceitável conveniência, entretanto estas
corriqueiras ações eram realmente suficientes? Bem, é fato que muitas de nossas
comunidades careciam daquele que se “aproxima e se põe a caminhar com eles” (cf
Lc 24,15), daquele que está disposto a percorrer um caminho e a gastar tempo e
“calor” principalmente com os membros que deixam “Jerusalém”. Uma fala recente
expressa bem o formato de comunidade que construímos e o qual parece se ter
saudade: “logo estaremos novamente unidos para as celebrações da missa e para
nossas reuniões”. Tragicamente nisso se sintetiza grande parte de nossa vida em
comunidade: missas e reuniões.
Compreendo que de modo repentino todos tivemos nossas
rotinas alteradas, e encontrar meios de ser comunidade em meio a esta pandemia
é o desafio diário de todos nós. Porém, o maior desafio que se apresenta, aos
meus olhos, consiste em encontrar meios de ser comunidade pós-pandemia. O mundo
pós-pandemia tem sido a utopia e esperança de muitos e deveria ser também a de
nós cristãos. Entretanto, as recorrentes referências a um passado que não era
tão ideal assim, mas era o nosso habitual, desvia nosso olhar da realidade e
põe nossa atenção e esperança no passado e não no futuro a ser construído desde
já. Este saudosismo não tem fertilizado o hoje de nossas comunidades com
criatividade e esperança de modo a florir novas comunidades pós-pandêmicas. Que
possamos permitir que nossas comunidades descubram em si a ação criativa e
fecunda do Espírito Santo, capaz de fazer “novas todas as coisas” (cf Ap 21,5).
Que o saudosismo da nossa “rotina comunitária” não seja empecilho para o
necessário novo modo de SER COMUNIDADE de hoje e de amanhã.
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Érica Daiane Mauri
Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade
Estadual de Maringá (2007). Especialização Lato Sensu em Teologia Bíblica (PUCPR-Maringá).
Mestrado em Teologia (PUCPR - Curitiba). Doutoranda em Teologia (PUCPR -
Curitiba), sendo integrante do Grupo de Pesquisa Bíblia e Pastoral (PUCPR).
Atua como Professora na Escola de Teologia para Cristãos Leigos da Arquidiocese
de Maringá; Professora visitante no curso de Especialização em Bíblia e em
Catequese da FAVI, realizado em Maringá.
LILIAN - Andar Com Fé (Gilberto Gil) | Quem Canta Reza Duas Vezes (Dia 04)
Gilberto Gil - Andar com
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Que a fé 'tá na mulher
A fé 'tá na cobra coral
Oh oh
Num pedaço de pão
A fé 'tá na maré
Na lâmina de um punhal
Oh oh
Na luz, na escuridão
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá olêlê
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olálá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Oh menina
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
A fé 'tá na manhã
A fé 'tá no anoitecer
Oh oh
No calor do verão
A fé 'tá viva e sã
A fé também 'tá prá morrer
Oh oh
Triste na solidão
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Oh menina
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olálá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Certo ou errado até
A fé vai onde quer que eu vá
Oh oh
A pé ou de avião
Mesmo a quem não tem fé
A fé costuma acompanhar
Oh oh
Pelo sim, pelo não
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olêlê
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olálá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá (olêlê, vamos lá)
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá (costuma, costuma a fé não costuma
faiá)
faiá)
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá (costuma, costuma a fé não costuma
faiá)
faiá)
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá (olêlala)
Andá com fé eu vou que a fé não costuma faiá
Hoje é o Dia da Enfermeira e do Enfermeiro
“Hoje é o Dia do Enfermeiro. Ontem enviei uma mensagem.
Rezemos hoje pelos enfermeiros e enfermeiras, homens, mulheres, rapazes e moças
que têm essa profissão, que é mais que uma profissão, é uma vocação, uma
dedicação. Que o Senhor os abençoe. Neste tempo da pandemia deram exemplo de
heroísmo e alguns deram a vida. Rezemos pelos enfermeiros e enfermeiras.” (Papa
Francisco)
Grande padre Roberto
Grande padre Roberto.
Um dia, nem o conhecia, fui almoçar com o Padre Adacílio Félix de Oliveira e ele estava junto. Ele olhou para mim com carinho e disse mais ou menos assim:
"Menina bonita, sei tudo o que estas passando, mas não estás sozinha".
Isso é forte em mim até hoje.
(Nato foto, o meu amigo Celso Nino e o Padre Roberto)
11 maio, 2020
Josimo – O Padre negro de sandálias surradas (Documentário Completo)
A história de vida e luta do Padre Josimo virou filme no documentário “Josimo – O Padre negro de sandálias surradas”, realizado pelo Instituto Cultural Padre Josimo em parceria com a Cáritas Brasil.
SINOPSE
Há certas balas, previstas ou imprevistas, que marcam a história e certas mortes que dão um sentido forte à vida e aos dias que vieram. A vida e morte de Josimo Tavares, o padre Josimo, é uma dessas.
Sua trajetória ajuda a compreender a humanidade ao deixar plantado em solo fértil algo de bom que perpetua para além da partida. Algo de bom, que vive mesmo depois de morto porque, na realidade, não sepode chamar de morto aquele que ainda vive no coração do povo.
09 maio, 2020
Minha Santa Mãezinha lembro quando lhe dei essa boneca e o quanto ficou feliz. No naquele dia nem entendi sua felicidade
Minha Santa Mãezinha
Lembro quando lhe dei essa
boneca e o quanto ficou feliz. No naquele dia nem entendi sua felicidade.
Desculpe minha mãezinha, não
consigo segurar ás lágrimas, porque vem do coração. Primeiro dia das mães sem
sua presença física. Seis meses e nove dias, saudades, o tempo passa tão rápido
que parece que foi ontem que foi sua passagem, sua páscoa.
Lembro quando passei no
vestibular da UEM, meu Deus, sua felicidade foi muito maior que a minha. Lembro
quando coordenei o Primeiro Encontrão das CEBs da Arquidiocese de Maringá e no
dia lá estava alegre e orgulhosa por mim, pelo meu “crescimento”. Também lembro
quando terminei a faculdade, no dia da colação de grau, o Ginásio de Esporte
Chico Neto estava lotado e no meio da multidão dava para ver o brilho de seus
olhos de alegria, emoção e orgulho. Lembro quando lhe dei essa boneca e não
consegui entender porque ficou tão feliz. São tantas as lembranças... Lembro
quando tive que aprender mudar a função, de filha para mãe que iniciou no dia
em que sofreu o AVC, final de janeiro de 2017, desse dia até o dia de sua
páscoa, primeiro de novembro de 2019 foi um período de acertos e erros em minha
função de cuidar de você, período turbulento, com tantas dores e perdas,
falecimento de meu irmão, tias e tio. Tu foste uma guerreira minha mãe, não
teve uma vida fácil, passou por momentos difíceis acamada sem reclamar e
procurando nos fortalecer e alegrar quando podia e os últimos dias no hospital
e UTI ficou visível sua santidade. No dia de todas as santas e santos de Deus
tu se juntou a eles. Minha Santa Mãezinha, meu eterno amor.
08 maio, 2020
Que nosso Deus abençoe todas as Mães e a minha Santa Mãezinha e as demais Mães que voltaram para Ele a graça da Ressurreição
A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, é bonito.
"As mães são o antídoto mais forte contra o propagar-se do individualismo egoísta. «Indivíduo» quer dizer «que não se pode dividir». As mães, ao contrário, «dividem-se», a partir do momento que hospedam um filho para o dar à luz e fazer crescer. São elas, as mães, que mais odeiam a guerra, que mata os seus filhos.
Muitas vezes pensei naquelas mães quando receberam uma carta:
«Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…». Pobres mulheres! Como sofre uma mãe! São elas que testemunham a beleza da vida. O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um «martírio materno». Na homilia para o funeral de um sacerdote assassinado pelos esquadrões da morte, ele disse, fazendo eco ao Concílio Vaticano II: «Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, ainda que o Senhor não nos conceda esta honra… Dar a vida não significa somente ser assassinado; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida quotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dando-o à luz, amamentando-o, fazendo-o crescer e cuidando dele com carinho. É dar a vida. É martírio». Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar um filho no mundo, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, é bonito.
Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral.
As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa:
"As mães são o antídoto mais forte contra o propagar-se do individualismo egoísta. «Indivíduo» quer dizer «que não se pode dividir». As mães, ao contrário, «dividem-se», a partir do momento que hospedam um filho para o dar à luz e fazer crescer. São elas, as mães, que mais odeiam a guerra, que mata os seus filhos.
Muitas vezes pensei naquelas mães quando receberam uma carta:
«Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…». Pobres mulheres! Como sofre uma mãe! São elas que testemunham a beleza da vida. O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um «martírio materno». Na homilia para o funeral de um sacerdote assassinado pelos esquadrões da morte, ele disse, fazendo eco ao Concílio Vaticano II: «Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, ainda que o Senhor não nos conceda esta honra… Dar a vida não significa somente ser assassinado; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida quotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dando-o à luz, amamentando-o, fazendo-o crescer e cuidando dele com carinho. É dar a vida. É martírio». Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar um filho no mundo, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, é bonito.
Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral.
As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa:
nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, está inscrito o valor da fé na vida de um ser humano. É uma mensagem que as mães que acreditam sabem transmitir sem tantas explicações: estas chegarão depois, mas a semente da fé está naqueles primeiros, preciosíssimos momentos. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo. E a Igreja é mãe, com tudo isso, é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães.
Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que sois na família e por que o dais à Igreja e ao mundo. E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por nos fazer ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudemo-las com um aplauso!"
Papa Francisco
Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que sois na família e por que o dais à Igreja e ao mundo. E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por nos fazer ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudemo-las com um aplauso!"
Papa Francisco
Carta do Papa Francisco a todos os Fiéis para o Mês de Maio de 2020
Queridos irmãos e irmãs!
Já está próximo o Mês de Maio, no qual o povo de Deus
manifesta de forma particularmente intensa o seu amor e devoção à Virgem Maria.
Neste mês, é tradição rezar o Terço em casa, com a família; dimensão esta – a
doméstica –, que as restrições da pandemia nos «forçaram» a valorizar,
inclusive do ponto de vista espiritual.
Por isso, pensei propor-vos a todos que volteis a descobrir
a beleza de rezar o Terço em casa, no mês de maio. Podeis fazê-lo juntos ou
individualmente: decidi vós de acordo com as situações, valorizando ambas as
possibilidades. Seja como for, há um segredo para bem o fazer: a simplicidade;
e é fácil encontrar, mesmo na internet, bons esquemas para seguir na sua
recitação.
Além disso, ofereço-vos os textos de duas orações a Nossa
Senhora, que podereis rezar no fim do Terço; eu mesmo as rezarei no Mês de
Maio, unido espiritualmente convosco. Junto-as a esta Carta, para que assim
fiquem à disposição de todos.
Queridos irmãos e irmãs, a contemplação do rosto de Cristo,
juntamente com o coração de Maria, nossa Mãe, tornar-nos-á ainda mais unidos
como família espiritual e ajudar-nos-á a superar esta prova. Eu rezarei por
vós, especialmente pelos que mais sofrem, e vós, por favor, rezai por mim.
Agradeço-vos e de coração vos abençoo.
Roma, São João de Latrão, na Festa de São Marcos
Evangelista, 25 de abril de 2020.
Francisco
Oração a Maria
Ó Maria,
Vós sempre resplandeceis sobre o nosso caminho
como um sinal de salvação e de esperança.
Confiamo-nos a Vós, Saúde dos Enfermos,
que permanecestes, junto da cruz, associada ao sofrimento de
Jesus,
mantendo firme a vossa fé.
Vós, Salvação do Povo Romano,
sabeis do que precisamos
e temos a certeza de que no-lo providenciareis
para que, como em Caná da Galileia,
possa voltar a alegria e a festa
depois desta provação.
Ajudai-nos, Mãe do Divino Amor,
a conformar-nos com a vontade do Pai
e a fazer aquilo que nos disser Jesus,
que assumiu sobre Si as nossas enfermidades
e carregou as nossas dores
para nos levar, através da cruz,
à alegria da ressurreição. Amém.
À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas na hora da prova
mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e
bendita.
Oração a Maria
«À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus».
Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e
angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa
Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção.
Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos
misericordiosos nesta pandemia do coronavírus e confortai a quantos se sentem
perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma
maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas
enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi
confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a
economia e o trabalho.
Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de
misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e
paz. Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe que
conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à
confiança.
Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os
voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando a
própria vida para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e
dai-lhes força, bondade e saúde.
Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os
doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude
pastoral e dedicação evangélica.
Virgem Santa, iluminai as mentes dos homens e mulheres de
ciência, a fim de encontrarem as soluções justas para vencer este vírus.
Assisti os Responsáveis das nações, para que atuem com
sabedoria, solicitude e generosidade, socorrendo aqueles que não têm o
necessário para viver, programando soluções sociais e econômicas com
clarividência e espírito de solidariedade.
Maria Santíssima tocai as consciências para que as somas
enormes usadas para aumentar e aperfeiçoar os armamentos sejam, antes,
destinadas a promover estudos adequados para prevenir catástrofes do gênero no
futuro.
Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença
a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para
acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras
situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a
constância na oração.
Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos
filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão onipotente
para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com
serenidade o seu curso normal.
Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho
como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem
Maria. Amém.
07 maio, 2020
E se as mulheres estiverem administrando a crise do coronavírus muito melhor que os homens?
De Donald Trump a Boris Johnson, passando por Jair Bolsonaro, a liderança populista masculina demonstrou que seu estilo personalista não é do que precisamos neste momento.
A reportagem é de Miquel Echarri, publicada por El País, 06-05-2020.
A reportagem é de Miquel Echarri, publicada por El País, 06-05-2020.
Os primeiros meses de 2020 entrarão para a história como um período em que as lideranças políticas foram realmente postas à prova. Até então, muitas sociedades democráticas estavam instaladas no que Michaela Kerrissey, especialista em gestão de saúde pública da Universidade Harvard, descreve como “uma fase de pensamento mágico”, uma espécie de miragem coletiva: “Nos últimos cinco anos, assistimos a uma proliferação de líderes de competência muito duvidosa que foram escolhidos pelos radicalismo de suas pautas ideológicas e de seus estilos de comunicação”.
Kerrissey se refere a dirigentes “sem capacidade de gestão nem estatura de estadistas”, como o indiano Narendra Modi, o filipino Rodrigo Duterte, o nicaraguense Daniel Ortega e o brasileiro Jair Bolsonaro, mas também “com matizes” ao norte-americano Donald Trump, ao britânico Boris Johnson e ao mexicano Andrés Manuel López Obrador. Para ela, são os representantes de um retorno a “modelos de liderança caduca” como o do “homem providencial”.
Para o jornalista David Robson, autor do tratado de gestão estratégica The Mind Trap (“a armadilha mental”), a crise da covid-19, na hora da verdade, fez “milhões de cidadãos de todo o mundo constatarem com horror que tinham entregado aos loucos a chave do manicômio”. Robson ressalta que é difícil resistir ao feitiço das lideranças providenciais, “porque alguns deles funcionaram ou pareceram funcionar bem no passado”.
É o caso de Winston Churchill, o homem que liderou a Grã-Bretanha na Segunda Guerra Mundial. “Mas Churchill não era um ignorante nem um demagogo e, sobretudo, não era um louco”, argumenta o jornalista, “Não desprezava a evidência racional, não pretendia resolver os problemas com ideias inusitadas”. Kerrissey concorda com Robson, mas alerta que não é o momento de procurar um novo Churchill. Não é sensato nem eficaz tentar reproduzir modelos de liderança que caducaram no final do século XX. Se é para procurar um modelo histórico de liderança em circunstâncias extremas, especialistas como Dennis Perkins propõem o explorador irlandês Ernest Shackleton.
Em sua expedição à Antártida em 1914, ele e sua tripulação de 27 exploradores ficaram presos no gelo e sobreviveram a 634 dias de fome, temperaturas extremas e absoluto isolamento. Um feito formidável que se explica, segundo Perkins, “pelas excepcionais qualidades de liderança sobre um grupo humano exibidas por Shackleton”, um líder “ético e moral”, que se esforçou sobretudo para “combater o medo e a ansiedade, nunca renunciar ao pensamento racional, conservar o otimismo, construir uma cultura da tenacidade, da criatividade e da iniciativa e tratar seus colegas com respeito, afeto e empatia”.
Arjen Boin, cientista político da Universidade de Leiden (Países Baixos), tinha muito presente o exemplo de Shackleton quando escreveu The Politics of Crisis Management (“as políticas da gestão de crise”). Publicado em 2005 e centrado em grande parte na resposta política a situações como o furacão Katrina, o tratado de Boin parte de uma tese que ultimamente soa mais atual do que nunca: “Uma liderança eficaz em condições extremas consiste tanto em agir corretamente no terreno como em desenvolver uma narrativa convincente que seja assumida pelo conjunto da população e permita, portanto, tomar decisões difíceis e adotar medidas traumáticas sem que gerem uma resistência excessiva”.
Boin insiste em que esse relato deve ser, além de coerente, “honesto”. Não se pode “edulcorar a verdade” nem optar por uma linha de comunicação ambígua, que gere dúvidas entre a população e dificulte a criação de consensos. Na opinião de Robson, foi justamente isso que o Governo britânico fez quando declarou sua intenção de permitir contágios maciços entre a população não vulnerável, para desenvolver assim a chamada imunidade de rebanho: “Boris Johnson chegou a afirmar que essa estratégia causaria milhares de mortes, mas que era a que os especialistas recomendavam e a que convinha adotar”, recorda Robson, “mas a reação fez que retificasse muito pouco depois, adotando um modelo de confinamento maciço similar ao italiano, espanhol e francês”.
A outra receita de Boin reivindicada por Robson consiste em “envolver a população dizendo o que se espera dela e como ela pode contribuir de maneira eficaz para a superação da crise”. Neste aspecto, segundo Robson, poucos líderes são tão modelares como a primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern: “Já havia demonstrado isso com seu discurso sobre os atentados de Christchurch [que causaram 50 mortos em março de 2019] e acaba de confirmar agora, com um estilo de comunicação simples, empático e direto, sem ambiguidades nem falsas certezas”.
Para Michaela Kerrissey, o discurso de oito minutos que Ardern apresentou pela televisão em 21 de março “é uma obra-prima da comunicação política em situações de emergência. Fez uso dos níveis de alarme ativados na Nova Zelândia em caso de incêndio, um código com o qual seus cidadãos estão muito familiarizados: quando disse que a crise da covid-19 é um nível de alerta quatro, os neozelandeses entenderam perfeitamente a que estava se referindo e souberam avaliar a nova situação quando esse nível de alarme passou de quatro para dois”.
Para Kerrissey, Ardern construiu uma narrativa sólida sem cair em nenhum dos dois relatos extremos que esta crise gerou, “nem no excesso de otimismo dos que afirmavam sem nenhum fundamento que a epidemia não chegaria aos seus países, nem no discurso de um belicismo desfocado dos que insistem em que esta pandemia é uma guerra e precisa ser encarada como tal”.
Em geral, os dirigentes e estadistas que nesta crise deram exemplos de boa gestão e de liderança moderna e eficaz (mais participativa que providencial, mais Shackleton que Churchill) são mulheres, caso da já mencionada Jacinda Ardern, da norueguesa Erna Solberg, da taiwanesa Tsai Ing-wen, da islandesa Katrín Jakobsdóttir, da dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt e da alemã Angela Merkel, uma veterana que parece estar dando o melhor de si mesmo nas piores circunstâncias, e a quem seus compatriotas já se referem como “a chanceler cientista”.
A imprensa internacional também tem destacado positivamente exemplos de liderança masculina como a do português António Costa, o grego Kyriakos Mitsotakis e o sul-coreano Moon Jae-in. Mas, como sugere David Robson, que sejam sobretudo mulheres as que estão se destacando por sua eficácia e capacidade de gerar amplos consensos “não pode ser uma simples casualidade”, num mundo esmagadoramente regido por homens. Kerrissey observa que “embora seja apressado tirar conclusões, talvez exista um patrão feminino de gestão e comunicação que é particularmente eficaz em casos de emergência”. É preciso estudá-lo.
06 maio, 2020
O caminho!
O caminho!
Qual é o caminho? Como conhecer o caminho? Para onde nos
leva o caminho? Quais as consequências ao assumir o caminho?
Vejam “No princípio já existia a Palavra e a Palavra estava
com Deus e a Palavra era Deus…… a Palavra se fez homem e armou sua tenda entre
nós” (João 1,1.14). É lindo, faz queimar o coração. Para realizar o Projeto de
Deus Jesus monta sua tenda no meio das mulheres e dos homens, se faz próximo e
mostra o caminho.
Para conhecer e assumir o caminho é preciso confiança “Não
se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também.” (Jo
14,1). Confiança e por-se a caminho, mesmo sem saber para onde nos leva “E para
onde eu vou, vós conheceis o caminho” (Jo 14,4). É por isso que, à pergunta de
Tomé: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o
caminho?” (Jo 14,5)
O caminho não está traçado antecipadamente, Deus nos fez
livre e nos quer livres. É caminhando que se descobre o caminho. Todas e todos
estão a caminho. Cada qual no seu tempo,
com seu passo, com sua história, suas dúvidas, com seus medos e
questionamentos.
Qual o caminho a final, “Jesus responde: Eu sou o Caminho, a
Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,5). O caminho nos
leva ao Pai, mas como ir ao Pai, essa a pergunta de Filipe “Disse Felipe:
'Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!' Jesus respondeu:
'Ha tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe?
Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: `Mostra-nos o Pai'? Não acreditas
que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as
digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas
obras.” (Jo 14,8-10).
Jesus é o caminho “...'Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida....”
(Jo 14,6), seu testemunho, seu jeito amoroso de aproximar, caminhar, acolher,
mostrar o caminho, comprometer e amar. Sua vida é o itinerário que devemos
percorrer. O caminho de Jesus é um estar a serviço da vida numa total doação a
toda humanidade, em defesa da criação.
As consequências ao assumir o “caminho”, a vida de Jesus é a
resposta, tudo que fez e o que sofreu por ter assumido o Projeto do Pai. Como
Ele, somos chamados a transformar o mundo sendo a presença do Ressuscitado. “Aquele
que acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que
estas. Pois eu vou para o Pai” (Jo 14,12).
A Igreja, eu, você, todas e todos devem propor esse caminho
com nossas histórias, nossas dificuldades, medos e realidade. Ninguém pode levantar muros que dificultam ou
impedem alguém a fazer o caminho, é preciso construir pontes para facilitar o
acesso ao caminho, se preciso for, fazer o caminho junto para que quem tiver
dificuldade consiga avançar. Não tenhamos medo, Jesus é o caminho, a segurança,
a luz e o amor.
(Eu, Lucimar Moreira Bueno)
Pandemia e Pós Pandemia: Dez Pontos para Reflexão
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
PANDEMIA E PÓS PANDEMIA: DEZ PONTOS PARA REFLEXÃO
“Eis que eu estou convosco todos os dias” (Mt 28,20)
Equipe de Análise de Conjuntura Eclesial Dom Paulo Cezar
Costa, Coordenador
“Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação
dos séculos” (Mt 28, 20). Estas palavras de Jesus, dirigidas aos discípulos,
dão-nos a certeza de que não estamos sozinhos diante dos problemas, desilusões,
sofrimentos, crises, pandemias etc. Ele caminha conosco. Estamos vivendo um
tempo difícil da Pandemia do Novo Coronavírus (COVID-19), em que parece custoso
ver a presença do Senhor junto a nós. Papa Francisco, na Praça de São Pedro
vazia, expressou bem: “Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades;
apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um
vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se
nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos”. Mas, a
narrativa dos discípulos de Emaús, nos dá a certeza de que nas noites escuras
da vida e da história, o Senhor permanece conosco, Ele caminha conosco (Lc 24,
13-35).
Este tempo grave de Pandemia fechou as portas de nossas
igrejas, mas a Igreja não está fechada, ela continua alimentando seus filhos e
filhas através da oração, da Palavra, das celebrações transmitidas pelas TVs
Católicas, rádios e mídias sociais, continua assistindo aos pobres e mais
necessitados pela caridade e criando redes de solidariedade. Não sabemos até
quando esta crise durará, talvez, em muitas regiões, ainda que não tenha
chegado o pico, porém, já se começa a ver sinais de possíveis superações. É
preciso, vivermos com responsabilidade este momento, incentivando o nosso povo
ao cuidado com a própria vida e com a vida do próximo, como nos exortou a
Campanha da Fraternidade: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34).
É importante, também, começarmos a refletir sobre este processo de volta e do
pós-pandemia. Propomos, no desejo de ajudar, alguns elementos para a nossa
reflexão:
1. Este tempo de Pandemia nos fez estar presentes nas casas
e na vida das pessoas de uma forma nova: por meio das mídias sociais. Já as
usávamos como meio de comunicação, de evangelização, de missão e de
solidariedade. Este tempo acelerou o processo de uso das mídias sociais para
reuniões, trabalhos, aulas, missas etc., tudo on-line. Descobrimos uma nova
forma de nos fazermos presentes nas casas, nas famílias e na vida das pessoas.
E as pessoas descobriram este novo modo de presença, de participação na vida da
comunidade. Este caminho deve continuar a ser trilhado: quantas lives,
inclusive com transmissão de celebrações, terços, orações etc. A PASCOM
(Pastoral da Comunicação) tornou-se uma pastoral fundamental na vida das
Dioceses, Paróquias e Comunidades. É um passo que foi dado e que não poderá
retroceder. Porém, nossas celebrações, voltarão a ser presenciais. Jesus, com
seus gestos e palavras, com sua morte e ressurreição, convocou a assembleia do
Novo Israel, a Igreja. A Igreja, desde o Novo Testamento, reúne-se em
assembleia litúrgica, a cada domingo, para celebrara memória da morte e
ressurreição do Senhor, a Eucaristia. A própria assembleia reunida é sinal da
presença do ressuscitado (Mt 18,20).É encontrando-se com o irmão de fé,
cantando, rezando, celebrando, ouvindo a Palavra de Deus e se alimentando da
Eucaristia que se mantém o coração aquecido, no amor do Senhor, e que se renova
a disposição de ser dom na vida da sociedade. Não há oposição entre a
assembleia litúrgica presencial e a transmissão virtual, pois existe uma
absoluta primazia do presencial. Trata-se de uma forma de continuar atingindo
tantas pessoas que ainda não se despertaram para a importância de viver e
partilhar a fé em comunidade, e que, vendo a vivacidade da comunidade cristã,
poderão ser atraídas para esta. Por isso, o uso das mídias sociais deverá continuar
a ser um grande elemento da presença da Igreja, de evangelização, demissão, de
oração com o nosso povo, de promoção da caridade e solidariedade. Este caminho
exigirá maior investimento nas PASCOM, na aquisição de materiais e de formação
de pessoas especializadas.
2. A vida moderna é marcada por uma grande agitação que
envolve toda a pessoa: preocupações, corre-corre para o trabalho, tantos
afazeres que o ser humano não tem tempo para parar. A sociedade tornou-se
sociedade do operar, do transformar, do consumir etc. A pós-modernidade conjuga
dois aspectos muito fortes da vida: a racionalidade e o sentimental. A
influência da razão faz com que tudo pareça bem previsível, tudo deve estar
sobre o acirrado controle racional. De um momento para outro, deparamo-nos
confinados e isolados em nossas casas. Esta Pandemia nos colocou diante do
imprevisível e impensável. De um momento para o outro, sentimos que tudo fugiu
do nosso controle: desde a realidade econômica, até o emprego, a saúde, a
liberdade etc. A vida humana se manifestou em sua fragilidade e contingência.
Sentimo-nos ameaçados naquilo que nos é mais precioso: a vida humana. Neste
tempo e campo, podem aflorar doenças psicológicas, distúrbios, desequilíbrios
afetivos e emocionais. Neste cenário, a Igreja deve estar preparada para se
manifestar como uma mãe que cura feridas, que apresenta o remédio da consolação
e da esperança. A oferta de tantas propostas, que fazem parte do rico
patrimônio espiritual da Igreja, como aconselhamento, espiritualidade, métodos
de oração, podem ajudar na saúde física e no equilíbrio espiritual das pessoas.
É preciso, neste tempo, conduzir as pessoas a um sentido mais profundo da
existência, a um retorno às raízes, que se encontram no mistério eterno do amor
de Deus (1Jo 4,8.16). Neste caminho, pode-se incentivar o ministério da escuta,
também, a ajuda de profissionais como psicólogos (as), que em nossas
comunidades, por meio do trabalho voluntário, possam ajudar e atender,
principalmente os mais pobres. Tenhamos sempre presente o que nos pede o Papa
Francisco: “Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre
a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos”1.
3. Depois de um tempo de crise, em que se experimenta a
contingência da vida, emerge a questão do sentido da vida. Nesta busca de sentido
aflora a procura pelo elemento religioso. É possível que haja um despertar da
busca religiosa. A Pandemia pode assim, ser um elemento despertador da dimensão
religiosa, da busca de Deus e precisamos estar atentos a isso. A imagem dos
gregos que querem ver Jesus (Jo 12, 21) nos ajuda nesta reflexão: O coração de
todo ser humano traz este desejo profundo de “ver” Jesus. Nesta passagem, o
verbo “ver” expressa todo o desejo e abertura que há no ser humano para a face
de Deus, toda inquietação que o coração humano traz na busca de sentido. Nas
situações de doença, no falimento diante da morte, nas situações limites da
vida, coloca-se sempre o problema do sentido da existência, da totalidade de
sentido da vida em si, mas sobretudo da vida humana. Em cada ser humano há uma
busca de sentido, há um projeto de sentido da vida2. O conceito de sentido
expressa o projeto de totalidade da nossa vida, que não pode encontrar o “seu
ser-total” sem o mundo no qual está situada. Somente na experiência de sentido,
e por meio desta, o ser humano chega ao “ser-total” e à salvação da própria
existência. O sentido experimentado e realizado seria então a salvação do ser
humano3. A religião deve ser portadora de sentido e de esperança à existência
humana. É preciso que “a luz da fé”4 ilumine os caminhos a serem trilhados no
pós-pandemia. A Igreja deve estar preparada para acolher as pessoas
fragilizadas não como uma alfândega cheia de exigências e fardos pesados5, mas
como uma mãe misericordiosa conduzindo as pessoas ao encontro com a pessoa de
Jesus Cristo e integrando-as na comunidade de fé. Deve-se perceber que a
experiência de finitude e impotência poderá auxiliar a revermos nossa condição
humana dependente de Deus. Como cristãos, precisamos destacar o sentido de
seguir o Crucificado que ressuscitou. Rever o lugar da Cruz em nossa
experiência eclesial poderá purificar toda tentação de reduzir a fé cristã aos
interesses de segurança e sucesso. Os santos místicos nos recordam que “tudo
passa e só Deus basta”, mas é preciso aceitar as noites escuras sem perder a
esperança.
4. Em meio a esta
pandemia, houve a redescoberta da “Igreja doméstica”6, este belo conceito de
São Paulo VI. A família reaprendeu a estar junta, a rezar unida, a compartilhar
a vida, a existência etc. Papa Francisco propôs para o mês de maio de 2020 a
oração do terço. Que bonito seria, se a família, unida e reunida, pudesse rezar
o terço. Aqui sim, teríamos o exercício genuíno da função sacerdotal batismal
do pai e da mãe de família, que, com este simples e lindo gesto, estariam
animando e alimentando a oração e a vida espiritual de sua família, de sua
“Igreja doméstica”. Nesta valorização da Igreja doméstica, As Diretrizes da
Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023 podem impulsionar o valor das
Comunidades Eclesiais Missionárias e da Igreja Doméstica em tempos de revisão
de ação pastoral pós-pandemia. Contemporaneamente, este é um período e momento
em que dramas humanos afloraram e se explodiram, inclusive levando a um
crescimento do número de separações de matrimônios, aumento da violência
familiar que vitima as mulheres, crianças e idosos. Também esta realidade
exigirá a presença da Igreja, como uma mãe misericordiosa, para ajudar a sarar
feridas e corações machucados (Is 61,1). O Ano da misericórdia,
pedagogicamente, nos fez encontrar com o amor misericordioso de Deus e impeliu
a Igreja a ser mãe misericordiosa. “A arquitrave que suporta a vida da Igreja é
a misericórdia. Toda a sua ação pastoral deveria estar envolvida pela ternura
com que se dirige aos crentes; no anúncio e testemunho que oferece ao mundo,
nada pode ser desprovido de misericórdia. [...] É o tempo de regresso ao
essencial, para cuidar das fraquezas e dificuldades dos nossos irmãos. O perdão
é uma força que ressuscita para nova vida e infunde a coragem para olhar o
futuro com esperança”7.
5. Todos estamos
sofrendo com esta Pandemia, mas os que mais sofrem são os pobres: aumento do
número das pessoas em situação de miséria, perda de emprego, vagas de emprego
diminuindo com a quebra de empresas, ausência de condições para precaver-se
contra o contágio etc. A Igreja, mãe que sempre busca atender os pobres,
necessitados e vulneráveis continuará a ser interpelada no seu cuidado pelos
últimos da nossa sociedade. A solidariedade é fundamental neste contexto. São
João Paulo II dizia que a solidariedade “Não é um sentimento de vaga compaixão
ou de ternura superficial pelos males de tantas pessoas próximas ou distantes;
pelo contrário, é a firme e perseverante determinação de trabalhar para o bem
comum, isto é, para o bem de todos e de cada um, a fim de que todos sejam
verdadeiramente responsáveis por todos”8.Neste caminho, é preciso envolver
todos os atores da vida de uma sociedade: poderes públicos, mundo empresarial,
meios de comunicação, instituições educacionais, ONGs, cada cidadão. É preciso,
de imediato, assistir aos pobres, pois quem tem fome não pode esperar. Porém,
parece-nos que neste momento é preciso algo mais, é necessário colocar nossas
estruturas a serviço e criar parcerias que possam ajudar as pessoas a serem
sujeitas da própria história. Junto com o SEBRAE, ou outras instituições, é
preciso apoiar pequenos cursos que ajudem as pessoas a criarem seu negócio, a
serem um pouco mais profissionais naquilo que já estão fazendo ou que poderão
vir a construir. É preciso apontar caminhos e dar meios para que as pessoas
possam ser sujeitos da própria história. Nesta grande crise que abateu a todos,
é preciso ir além dos discursos, além do assistencialismo, pois “o pensamento
social da Igreja é primariamente positivo e construtivo, orienta uma ação
transformadora e, nesse sentido, não deixa de ser sinal de esperança que brota
do coração amoroso de Jesus Cristo”9.
6. Em realidades onde
tantas pessoas perderam a vida e não tiveram sequer as justas cerimônias de
despedida, onde os familiares foram impedidos de chorar junto a seus entes
queridos, a Igreja não pode perder de vista que é direito das pessoas chorarem
e fazerem a última despedida antes de sepultar seus corpos. Sabemos o quão
importante e significativo é o Ritual das Exéquias. Primeiro, pela própria
concretude da morte: aquela pessoa querida terminou sua jornada, e a família,
quando realiza seu funeral, encerra concretamente este capítulo de uma dolorosa
história. Segundo, o pertencimento social: quando os amigos e outros membros da
família expressam as suas condolências, as pessoas enlutadas se sentem
confortadas e pertencentes a um grupo social no qual construíram sua história
ao longo de gerações. Acrescenta-se que no momento do velório conta-se as
histórias do falecido(a), resgata-se seu legado, reconstrói-se a memória da
pessoa e o quanto ela foi amada e importante. A partir disso, os familiares vão
elaborando o luto e confortando a dor da perda, que será sempre irreparável.
Desta forma, os ritos fazem com que a morte seja um processo no percurso da
vida, ainda que doloroso. A ausência destes rituais tem um impacto muito
negativo e sofrido, emocional e afetivamente falando. A falta deste momento de
despedida, como estamos vendo durante a Pandemia do Novo Coronavírus, causa uma
lacuna na vida de pessoas e famílias inteiras, com sentimento de vazio e
impotência. A pessoa tem o direito da Cerimônia de Exéquias, que ajuda no
processo de superação do luto. Aqui, o caminho da justa criatividade
acompanhada pela responsabilidade, deve ajudar.
7. É importante que, neste processo de abertura, mantenhamos
o cuidado e o respeito pela vida humana, que caracteriza a doutrina da Igreja e
que norteiam nossos pronunciamentos e atitudes neste tempo da Pandemia do Novo
Coronavírus. Devemos dar atenção às orientações emanadas pela Organização
Mundial da Saúde, às normas dos Estados e dos Municípios. A Igreja deve
sentir-se sujeito das normas justas emanadas pela autoridade civil,
principalmente se visam preservar e promover a vida humana. Ocorreram
intervenções indevidas de agentes do Estado em celebrações. Deve-se afirmar a
liberdade da Igreja de exercer livremente a sua missão e como bem afirmou o
Concílio Vaticano II: “o direito a esse exercício não pode ser impedido, desde
que guarde a justa ordem pública”10.Se em algum momento, por imprudência ou
excesso de zelo de representantes de alguma das partes, acontecerem conflitos
ou exorbitância na competência, o caminho de solução passa sempre pelo diálogo.
Em última instância, a justiça existe para garantir as liberdades individuais e
a justiça nas relações. Não podemos nos esquecer que a vida humana é um
imperativo para os discípulos e discípulas de Jesus Cristo, que veio “para que
todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
8. O amor fraterno deve, neste momento histórico, fazer a
diferença na nossa vida e caminhada de nossas comunidades. Também a Igreja, na
sua caminhada, já sente as consequências da crise na vida de cada um e na vida
econômica que está se abatendo sobre o mundo. É tempo de manifestarmos
concretamente o nosso amor através da ajuda entre paróquias que têm melhores
condições econômicas e aquelas menos favorecidas, entre irmãos que têm
condições melhores e irmãos que têm condições piores. O livro dos Atos dos
Apóstolos, que estamos lendo neste Tempo Pascal, indica-nos o caminho: “A
multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as
coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum” (At 4,32.2,42).
9. Não podemos nos esquecer da saúde física e psicológica
dos nossos amados presbíteros. O estarmos celebrando sem a presença física do
nosso povo, igualmente reclusos em suas casas, os problemas financeiros que
começam a afetar a vida das paróquias, podem afetar também a saúde física e
psicológica dos nossos presbíteros. É importante, neste momento, que ofereçamos
suporte humano e psíquico aos nossos presbíteros e que, se preciso for,
indiquemos psicólogos (as) que possam ajudá-los no equilíbrio emocional.
10. Nós, cristãos católicos, não devemos entrar no falso
dilema entre escolha da preservação da vida ou da economia. As oposições podem
manifestar visões parciais da realidade. Papa Francisco nos relembra que “a
unidade prevalece sobre o conflito”11.A preservação da vida e o cuidado da
economia não estão em contraposição. O cuidado da vida sempre levará em
consideração o cuidado da economia, pois a centralidade deve ser da pessoa
humana, não do lucro.
Enfim, a Igreja deve ser portadora da grande Esperança que
nasce da fé, tanto para o nosso amado povo como para a vida da sociedade
inteira. Cristo Morto e Ressuscitado é a grande razão da nossa esperança, e
“devemos estar sempre prontos a dar razão dela a todo aquele que no-la pedir”
(1Pd 3,15). Como nos pede o Papa Francisco: “não deixemos que nos roubem a
esperança!”12. O anúncio de Jesus Cristo tem que ser portador de Esperança. A
Esperança Cristã se fundamenta na memória de Cristo. A ressurreição de Cristo
nos diz que Ele não se encontra mais entre os mortos, e que, portanto, a força
deste mundo mortal foi rompida13. O cristianismo primitivo fundava sua fé não
sobre uma reconstrução científica do Jesus histórico, mas na escuta da viva
proclamação do Senhor morto e ressuscitado. Este foi o grande anúncio daquele
primeiro dia da semana: Ressuscitou, não está mais aqui! A ressurreição de
Cristo nos dá a certeza de que a história é história de vida e de ressurreição.
Ele está conosco (Mt 28,20), não estamos sozinhos na história e na batalha
cotidiana da vida.
Estas indicações
querem, simplesmente, ajudar a nossa reflexão neste momento difícil da
história.
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11Papa Francisco, EvangeliiGaudium, 226-230.
12 Papa Francisco, EvangeliiGaudium, 86.
13 J. MOLTMANN, “Ressurreição - fundamento, força e meta de
nossa Esperança”, 112.
SE/Sul Quadra 801 Conj. B / CEP 70200-014 - Brasília - DF –
Brasil
Fone:(61) 2103 8300 / 2103 8200 / 98173 5967 / 98173 5958
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