13 dezembro, 2018

Estados Unidos. Polêmica: o Menino encarcerado e os Magos, atrás do murofronteiriço


Um templo católico de Santa Susana, no povoado de Dedham, em Massachusetts (Estados Unidos), está criando uma ampla polêmica por mostrar um presépio natalino, em sua frente, com o Menino Jesus encarcerado e os três reis magos atrás de uma cerca que se assemelha ao muro fronteiriço, cuja mensagem é criticar a política migratória do presidente Trump contra os centro-americanos da caravana, que buscam asilo nos Estados Unidos.

A reportagem é publicada por Religión Digital,11-12-2018. A tradução é do Cepat.

Fiéis católicos, ativistas e políticos estão em debate a favor e contra o incomum símbolo natalino. Para a paróquia, o presépio não convencional serve como estímulo à luta dos imigrantes.  


“Buscamos pegar uma foto do mundo tal como é e de juntá-la a uma mensagem de Natal”, disse o sacerdote Stephen Josoma. Explicou que a mensagem deste ano questiona a paz na terra, já que Jesus representa as crianças migrantes retidas na fronteira sul, separadas de seus pais.

Os reis magos são a caravana dos migrantes atrás do muro fronteiriço. Eles acreditam que significa muito a mensagem de Jesus. “Jesus falava de cuidar um do outro. Esta não é a maneira de se cuidar mutuamente”, disse Josoma.

“Não estamos buscando escandalizar ninguém”, disse o fiel Pat Ferrone, membro do comitê de Pax Christi, que teve a ideia da exibição. “Estamos buscando refletir uma realidade que é preciso olhar”.

“Aqui é onde se vem para rezar, não para receber pregação sobre o que se deve pensar na política”, disse Helen Watson, que foi à igreja para ver a exibição.

Josoma insiste em que o cenário não é uma escavação nas políticas de administração de Trump. Em vez de ativismo político, chama-o de ativismo evangélico. “Falamos de Mateus 25 alimentando os famintos e acolhendo ao estranho”.

O fiel Phil Mandeville disse que Jesus não era alheio à política. “Cristo foi político, foi pregado em uma cruz por fazer declarações políticas e por sua liderança e essa é a razão pela qual morreu”, disse Mandeville.

O presépio é destinado a ser um símbolo de esperança, e na igreja Santa Susana a esperança é que tenha começado uma conversa.

A ideia do presépio surgiu em uma reunião do comitê de Pax Christi da congregação, um grupo que se reúne mensalmente e busca educar a comunidade sobre assuntos relacionados à paz e a justiça, segundo a página web da igreja.

O nascimento também mostra o menino Jesus fechado em uma cela, com Maria e Joséo olhando. À direita deles, os três reis magos são visíveis atrás de uma rede que se estende do chão ao teto da quadra, simulando manter distantes os estrangeiros, disse Josoma.

Um cartaz com uma flecha contém a palavra “expulsão”, escrita em sinais. Um segundo, sobre o estábulo, expõe uma pergunta aos transeuntes: “Paz na terra?”.

“Isto se parece com o que é a paz na terra?”, questionou o sacerdote, fazendo referência aos eventos recentes em que soldados do Exército, destacados na fronteira com o México, lançaram gases lacrimogêneos para conter centenas de migrantes, incluindo crianças, que tentavam cruzar a fronteira.

“É difícil dizer que somos um povo de paz, quando estamos enviando soldados com gás lacrimogêneo para impedir as pessoas”, disse.

Josoma disse em uma mensagem que não considera que o presépio seja um protesto contra o presidente Trump e as políticas migratórias de seu Governo, mas é mais um estímulo às pessoas de boa vontade. Disse que até o momento a exibição obteve uma resposta mista. “Algumas pessoas olham e não conseguem entender o motivo pelo qual o menino está na cela”. 

Este é o segundo ano que os fiéis da congregação utilizam o presépio para estimular um tema de reflexão sobre os acontecimentos atuais.

No ano passado, o presépio tinha 16 escritos na parede posterior da estrutura, que leva o nome de um lugar onde havia ocorrido um tiroteio em massa e o número de pessoas que morreram.  



Fonte: IHU

11 dezembro, 2018

Declaração Universal dos DIREITOS HUMANOS - 70 anos!


Declaração Universal dos DIREITOS HUMANOS   

Edição comemorativa da Declaração Universal dos Direitos Humanos, partilhada pela CESE.

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. são dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.  

  A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada no dia 10 de dezembro de 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas ONU, tem o Brasil como um dos seus signatários.


A Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Bíblia e as Igrejas

O texto que segue contém os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e resumos dos artigos do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC) e também do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP). Junto aos artigos da Declaração, do PIDESC e do PIDCP seguem trechos da Bíblia, declarações eclesiásticas e ecumênicas e citações bíblicas pertinentes. Os versículos das Sagradas Escrituras, transcritos neste livreto, são da Tradução Ecumênica da Bíblia, coedição Edições Loyola e Paulinas, São Paulo, 1996. PREÂMBULO Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; Considerando que o menosprezo e o desrespeito dos direitos humanos levaram a atos bárbaros que ultrajaram a consciência da humanidade, e que o advento de um mundo em que todas e todos gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a A Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Bíblia e as Igrejas 15 salvo do temor e da necessidade, foi proclamado como a mais alta aspiração humana; Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que as pessoas não sejam compelidas, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão; Considerando necessário promover o desenvolvimento das relações amistosas entre as nações; Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos do homem e da mulher, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla; Considerando que os Estados Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais de todas e todos e sua observância; Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso.

Acesse AQUI a edição comemorativa da Declaração Universal dos Direitos Humanos, partilhada pela CESE. 


10 dezembro, 2018

Demarcação já!

Demarcação já!
Letra: Carlos Rennó  

Já que depois de mais de cinco séculos
E de ene ciclos de etnogenocídio
O índio vive, em meio a mil flagelos
Já tendo sido morto e renascido

Tal como o povo kadiwéu e o panará

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que diversos povos vêm sendo atacados
Sem vir a ver a terra demarcada
A começar pela primeira no Brasil
Que o branco invadiu já na chegada
A do tupinambá

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que, tal qual as obras da Transamazônica
Quando os milicos os chamavam de silvícolas
Hoje um projeto de outras obras faraônicas
Correndo junto da expansão agrícola
Induz a um indicídio, vide o povo kaiowá

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que tem bem mais latifúndio em desmesura
Que terra indígena pelo país afora;
E já que o latifúndio é só monocultura
Mas a T.I. é polifauna e pluriflora

Ah!

Demarcação já!
Demarcação já!

E um tratoriza, motosserra, transgeniza
E o outro endeusa e diviniza a natureza
O índio a ama por sagrada que ela é
E o ruralista, pela grana que ela dá;

Hum, bah!

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que por retrospecto só o autóc
Tone mantém compacta e muito intacta
E não impacta, e não infecta, e se
Conecta e tem um pacto com a mata

Sem a qual a água acabará

Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que não deixem nem terras indígenas
Nem unidades de conservação
Abertas como chagas cancerígenas
Pelos efeitos da mineração

E de hidrelétricas no ventre da Amazônia, em Rondônia, no Pará

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que tal qual o negro e o homossexual
O índio é tudo que não presta, como quer
Quem quer tomar-­lhe tudo que lhe resta
Seu território, herança do ancestral

E já que o que ele quer é o que é dele já

Demarcação, tá?
Demarcação já!

Pro índio ter a aplicação do Estatuto
Que linde o seu rincão qual um reduto
E blinde-­o contra o branco mau e bruto
Que lhe roubou aquilo que era seu

Tal como aconteceu, do Pampa ao Amapá

Demarcação lá!
Demarcação já!

Já que é assim que certos brancos agem

Chamando-­os de selvagens, se reagem
E de não índios, se nem fingem reação
À violência e à violação

De seus direitos, de Humaitá ao Jaraguá

Demarcação já!
Demarcação já!

Pois índio pode ter iPad, freezer, TV, caminhonete, voadeira
Que nem por isso deixa de ser índio
Nem de querer e ter na sua aldeia
Cuia, canoa, cocar, arco, maracá

Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que o indígena não seja um indigente
Um alcoólatra, um escravo ou exilado
Ou acampado à beira duma estrada
Ou confinado e no final um suicida
Já velho ou jovem ou pior, piá

Demarcação já!
Demarcação já!

Por nós não vermos como natural
A sua morte sociocultural
Em outros termos, por nos condoermos
E termos como belo e absoluto

Seu contributo do tupi ao tucupi, do guarani ao guaraná

Demarcação já!
Demarcação já!

Pois guaranis e makuxis e pataxós
Estão em nós, e somos nós, pois índio é nós
É quem dentro de nós a gente traz, aliás
De kaiapós e kaiowás somos xarás

Xará

Demarcação já!
Demarcação já!

Pra não perdermos com quem aprender
A comover-­nos ao olhar e ver
As árvores, os pássaros e rios
A chuva, a rocha, a noite, o sol, a arara
E a flor de maracujá

Demarcação já!
Demarcação já!

Pelo respeito e pelo direito
À diferença e à diversidade
De cada etnia, cada minoria
De cada espécie da comunidade
De seres vivos que na Terra ainda há

Demarcação já!
Demarcação já!

Por um mundo melhor ou, pelo menos
Algum mundo por vir; por um futuro
Melhor ou, Oxalá, algum futuro
Por eles e por nós, por todo mundo

Que nessa barca junto todo mundo tá

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que depois que o enxame de Ibirapueras
E de Maracanãs de mata for pro chão
Os yanomami morrerão deveras
Mas seus xamãs seu povo vingarão
E sobre a humanidade o céu cairá

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que, por isso, o plano do krenak encerra
Cantar, dançar, pra suspender o céu
E indígena sem terra é todos sem a Terra
É toda a civilização ao léu

Ao deus­-dará

Demarcação já!
Demarcação já!

Sem mais embromação na mesa do Palácio
Nem mais embaço na gaveta da Justiça
Nem mais demora nem delonga no processo
Nem retrocesso nem pendenga no Congresso
Nem lengalenga, nenhenhém nem blablablá!

Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que nas terras finalmente demarcadas
Ou autodemarcadas pelos índios
Nem madeireiros, garimpeiros, fazendeiros
Mandantes nem capangas nem jagunços
Milícias nem polícias os afrontem

Vrá!

Demarcação ontem!
Demarcação já!

E deixa o índio, deixa o índio, deixa os índios lá

Demarcação JÁ - Música dedicada aos povos Indígenas

06 dezembro, 2018

04 dezembro, 2018

Feliz esperança!


Oração

"Senhor Jesus,
Infunde em nós o Espírito de Sabedoria 

Que nos ensine a viver E a buscar a verdadeira felicidade;
Infunde em nós o Espírito de Entendimento 
Que nos faça penetrar nos segredos do teu coração manso e humilde; 
Infunde em nós o Espírito de Conselho e de Fortaleza
Que nos leve a fazer opções corretas e a concretizá-Ias com perseverança, paciência e tenacidade; 
Infunde em nós o Espírito de Ciência
Que nos faça entender a nossa história à luz do projecto de Deus Pai;
Infunde em nós o Espírito de temor do Senhor 
Que nos leve a colocar a vontade do Pai no centro dos nossos pensamentos, desejos e projetos.
Infunde em nós o Espírito
Para que o teu amor ablativo caracterize a nossa vida e revele aos pequenos e pobres,
o rosto de Deus Pai. 
Amém."

Fonte: Dehonianos

03 dezembro, 2018

Confraternização CEBs - Arquidiocese de Maringá

Confraternização da coordenação Arquidiocesana das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.
01/12/2018.

A vocês visitantes do Blog!


30 novembro, 2018

Primeira Semana do Advento


Oração

"Senhor, ao menos uma vez por ano, a natureza, que nos rodeia, manifesta as suas capacidades escondidas quando, na Primavera, desabrocham folhas e flores, ervas e searas nos nossos campos. É o irromper improviso e violento da vida que escondeste no mundo material, e que nos revela as maravilhas que ele pode produzir, quando responde à tua palavra. Tal como a terra explode na Primavera em folhas, rebentos e flores, assim um dia explodirá, transformando-se num mundo de luz e de glória, onde será possível vermos os Santos e os Anjos que o habitam. Será a Primavera Eterna que aguardamos na fé. Sabemos que há-de vir e não tardará (cf. Heb 10, 37). Por isso Te suplicamos: Venha o teu Reino! Mostra-Te, Senhor, manifesta-Te; Tu que te sentas sobre os Querubins, mostra-te; ergue o teu poder e vem ajudar-nos. Amém." Fonte: Dehonianos



27 novembro, 2018

As freiras que, em vez de catequizar, defenderam cultura indígena e viram povo 'renascer'

Setembro de 2013, nordeste do Mato Grosso. A casa simples da freira Geneviève Hélène Boyé, a irmãzinha Veva, estava tomada por algumas dezenas de pessoas. No interior da residência, fora cavado um buraco retangular no chão de terra e, dentro dele, jazia seu corpo, pendurado em uma rede branca, a mesma na qual ela dormia todas as noites.  

As irmãs em 1976, antes de abandonarem as roupas tradicionais de freiras  

Ao redor, índios Apyãwa - conhecidos também como Tapirapé - batiam levemente os pés no chão, balançando sutilmente o corpo, enquanto entoavam um longo canto lamurioso. Depois de a cova ser fechada com tábuas, as mulheres, chorando, peneiraram quilos de terra por cima, conforme sua tradição. Alguns não indígenas acompanhavam o ritual e repetiam os movimentos, entre eles Odile Eglin, a irmã Odila.

'O que faz o Brasil ter 190 línguas em perigo de extinção

A cerimônia aconteceu a cerca de oito mil quilômetros da terra natal das duas, a França. Integrantes da fraternidade Irmãzinhas de Jesus, as freiras viveram por décadas com - e como - os Apyãwa. Veva, que chegou com o primeiro grupo em 1952, lá ficou praticamente todo o tempo até morrer, 60 anos depois, quando foi enterrada pelo costume indígena, segundo sua escolha.

Odila, que se juntou a ela em 1982, retornou a Paris em janeiro, encerrando um ciclo de 65 anos na comunidade: foi a última religiosa a viver com os Tapirapé.

Quando Veva e mais duas freiras chegaram para estabelecer a primeira missão das Irmãzinhas nas Américas, a população Apyãwa estava reduzida a cerca de 50 pessoas e corria o risco de desaparecer. Hoje são quase mil, aproximando-se do tamanho que tinham no início do século 20.

Epidemias entre indígenas

Direito de imagemCIMIImage captionIrmã Genoveva rema em canoa pelo rio Tapirapé; freiras abraçaram modo de vida dos indígenas

A forte redução populacional na primeira metade do século passado foi provocada principalmente por doenças transmitidas por não indígenas, como gripe e varíola, contra as quais os Tapirapé não tinham anticorpos. A situação depois foi agravada por um ataque dos índios Kayapó, então seus inimigos.

O papel das freiras para a recuperação desse povo...continue lendo, clique aqui.


Assim como a vida e o mundo são dinâmicos, assim também o cuidado do mundo deve ser flexível e dinâmico


25 novembro, 2018

Obrigada CEBI por não desistir de mim.

Obrigada CEBI por não  desistir de mim.
Foi especial a manhã deste domingo, 25 de novembro de 2018.
Agradeço ao Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos de Maringá-Pr , por não desistir de mim...Rsrsrsrs...
Diante  da não desistência em convidar-me durante esse ano, hoje estive com vocês e foi maravilhoso.

Dar as mãos

20 novembro, 2018

Da minha consciência negra do porvir



Da minha consciência negra do porvir:

Cotas

Caras pretas pedindo esmola
Caras pretas fora da escola
É assim que se vive a igualdade
No país da felicidade

Caras pretas, nas senzalas
Atrás da cozinha, longe da sala
Caras pretas, prostitutas
Se se atrevem a sair às ruas

Caras pretas, mais um suspeito
Longe do mundo acadêmico
Caras pretas se levantando
Deixando para trás o rebanho

Caras pretas aprendendo
Quebrando a sina do engenho
Ensinando ao país da felicidade
A porta da frente é igualdade


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O poema de Aline Djokic, publicado originalmente por Blogueiras Negras.