20 maio, 2019

Primeira Romaria das CEBs ao Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio

Mistério inusitado que nos envolve no manto da delicadeza e ternura da mãe! 

Sair em romaria para Paranaguá? O que atrai naquela cidade?

A resposta é individual, não tem como dar resposta a outra pessoa.

Só quem passa por tal experiência é envolvido por um mística que não é nem de que lá vai a busca, pode até ocorrer, em certo sentido, más é algo que nos envolve, nos toma, que sem pedir permissão nos invade e somos enriquecidos com os traços da Misericórdia de um Mistério inusitado que nos envolve no manto da delicadeza e ternura da mãe.

A Primeira Romaria das CEBs ao Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio aconteceu domingo, dia 19 de maio de 2019 e fara parte da programação anual das Comunidades Eclesiais de base, as CEBs do Regional Sul II (Paraná), será todo os terceiros domingo do mês de maio.

A Arquidiocese de Maringá participou com 56 romeir@s, programem para em 2019 estar conosco na casa da Mãe.












































15 maio, 2019

Bolsonaro chama manifestantes contra cortes na educação de 'idiotas úteis' e 'massa de manobra


''São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhon", disse o presidente em visita a Dallas; estudantes e professores protestam nesta quarta contra cortes na educação básica e no ensino superior.


O presidente Jair Bolsonaro (PSL) chamou de “idiotas úteis” e “massa de manobra” manifestantes que organizam uma série de protestos contra os cortes do governo na educação básica e no ensino superior nesta quarta-feira, 15. O presidente classificou os protestos como algo “natural” e disse que “a maioria ali (na manifestação) é militante”.   

“Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais”, disse Bolsonaro ao chegar em Dallas, nos Estados Unidos. Ele foi recebido por apoiadores ao chegar no hotel onde se hospedará na cidade americana.

Em capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, os atos contra os bloqueios do Ministério da Educação (MEC) começaram pela manhã, embora a maior parte esteja marcada para o período da tarde. Além das manifestações, algumas universidades e escolas cancelaram as aulas.

O presidente disse ainda que não gostaria que houvesse cortes na educação e disse que não teve saída.  “Na verdade não existe corte, o que houve é um problema que a gente pegou o Brasil destruído economicamente, com baixa nas arrecadações, afetando a previsão de quem fez o orçamento e se não tiver esse contingenciamento eu simplesmente entro contra a lei de responsabilidade fiscal”, afirmou o presidente. “Mas eu gostaria que nada fosse contigenciado, em especial na educação."  

Ao menos 75 universidades e institutos federais do País convocaram protestos em resposta ao bloqueio de 30% dos orçamentos determinado pelo Ministério da Educação (MEC).

O presidente falou que a educação no Brasil “está deixando muito a desejar”. “ A garotada, com 15 anos de idade, na oitava série, 70% não sabe uma regra de três simples. Qual o futuro destas pessoas?“, disse o presidente, culpando o governo do PT por não ter dado “qualificação” a parte dos desempregados do País. 

Bolsonaro visita Dallas em uma agenda improvisada e organizada às pressas pelo governo depois de o presidente desistir de ir à cidade de Nova York. Ele participaria do prêmio de “personalidade do ano” concedido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos na noite de ontem, mas a homenagem foi alvo de boicotes e críticas do próprio prefeito da cidade, Bill de Blasio. 

No Texas, Bolsonaro deve se encontrar com o ex-presidente George W. Bush e participar de um almoço com empresários, onde receberá formalmente o prêmio que não foi buscar em Nova York.  “Estamos sendo muito bem recebidos aqui e o objetivo nosso da viagem será alcançado: aprofundar cada vez mais os laços de amizade e também de cooperação comercial com esse país que eu sempre amei desde a minha infância”, disse Bolsonaro, ao chegar nos Estados Unidos. 

Um dos apoiadores do presidente gritou “arruma o Brasil que a gente volta”. A ele, Bolsonaro respondeu que o País está “bastante desarrumado”, mas que iria “arrumar”.

Fonte: Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo - 15 de maio de 2019


Dia Nacional de Greve na Educação


Nessa quarta-feira, 15 de maio de 2019, professores, educadores e estudantes do ensino federal, estadual e municipal, da educação básica ao ensino superiorde todo o país vão se manifestar contra a Reforma da Previdência e contra os cortes nas áreas de ciência, tecnologia e educação no Dia Nacional de Greve na Educação. 
A notícia foi publicada pelo portal Campanha Nacional pelo Direito à Educação, 14-05-2019.
Organizados por sindicatos, coletivos de educadores e por estudantes, os atos públicos acontecerão nos 26 Estados e no Distrito Federal, desde o início do dia, s 7h. Haverá atos públicos, audiências e aulas públicas, além de debates para marcar o posicionamento da sociedade civil contra os atos recentes do Ministério da Educação, como corte de gastos, militarização das escolas

Sob pretexto de desburocratizar indústria, Bolsonaro pode elevar índice de acidentes

Presidente quer reduzir normas de segurança no trabalho; país registrou 4,5 milhões de acidentes de trabalho em 7 anos




O presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou que o governo federal vai realizar mudanças nas Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho à partir de junho. A informação foi divulgada na última segunda-feira (13) pela rede social do presidente sob a justificativa de que as leis estariam defasadas e travando o desenvolvimento da indústria. O objetivo do governo é desburocratizar o setor e, com isso, aumentar a produtividade.
Para repercutir o anúncio do presidente e suas possíveis consequências, o Brasil de Fato conversou com o supervisor do Núcleo de Políticas Públicas do Dieese, Nelson Karam, considerado um especialista na área. Segundo ele, o discurso de que as normas regulamentadoras estão desatualizadas e brecam a indústria é equivocado.
"O primeiro esclarecimento é que isso já vem sendo feito, então não é que essas normas ficaram paradas no tempo. Elas são renovadas, atualizadas, adaptadas continuamente. Em segundo lugar, essa mudança nas normas passam sempre por um olhar tripartite, uma comissão composta por representações de governos, trabalhadores e empresários, que sentam, pactuam e discutem as características dessas normas, as modificações que necessitam ser feitas. Então, não é uma obra de governo fazer essa atualização. A menos que o governo queira quebrar uma regra na concessão dessas normas".  
O especialista aponta que o governo tem trabalhado na ideia de que uma regulação traz dificuldade para as empresas produzirem e eleva os custos de produção. Porém, em um país onde os acidentes de trabalho tem números alarmantes, a flexibilização das Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde trazem como principal consequência a fragilização do trabalhador e aumento da precarização do trabalho. Nos últimos sete anos, foram registrados 4,5 milhões, dos quais 16,9 mil foram fatais.
Além disso, o próprio Estado também sofre as consequências de um ambiente de trabalho inseguro, na dimensão da saúde pública com atendimento dos acidentados pelo SUS e pensões pelo INSS. 
Karam também explica que ambientes de trabalho mais seguros significam a possibilidade de produção com mais eficiência e produtividade. 
"O que nos preocupa neste momento é que, ao que tudo indica, a intenção do atual governo ao rever essas normas não vai na linha de proteger o trabalho, a produtividade das empresas. Ao contrário, o governo sinaliza e olha pra essas normas unicamente como uma barreira de custo para as empresas".
Recentemente, o Brasil assistiu a casos onde a diminuição dos custos empresariais se deu justamente nos setores de segurança, como é o caso do crime da Vale em Brumadinho (MG), onde mais de 200 funcionários foram soterrados pela lama do rompimento da barragem da mineradora. O caso é considerado o maior acidente de trabalho do Brasil. 
Karam também dá como exemplo de acidentes trabalhistas o uso do amianto no Brasil, produto químico altamente cancerígeno e proibido em diversos países por causar morte dos trabalhadores que manipulam o material. Além disso, ele cita a liberação do uso de agrotóxicos já banidos internacionalmente por causar malefícios à saúde dos trabalhadores do campo. 
Para ele, a melhor saída para a retomada da produtividade industrial está longe de ser “simplificar” as normas de segurança. Ele aponta que a manutenção é necessária para acompanhar as mudanças do mercado e das formas de trabalho, mas que é preciso debate. 
“As normas regulamentadoras tem que caminhar para incorporar essa nova dimensão do trabalho, então tem que ser continuamente atualizadas. Agora simplesmente em uma canetada querer burocratizar um único sentido de reduzir custos para empresa e expor o trabalhador não é a direção correta nem mais adequada para um país que busca caminhar para retomada do crescimento”, finaliza. 

Fonte:Luciana Console - Brasil de Fato | São Paulo (SP),15 de Maio de 2019 

14 maio, 2019

Romaria das CEBs do Paraná


As Romeiras e Romeiros da Arquidiocese de Maringá já marcados por emoção!





Romaria das CEBs do Paraná
As Romeiras e Romeiros da Arquidiocese de Maringá já marcados por emoção

Romaria é linda, sempre linda, é um tempo especial de evangelização e devoção. A Primeira Romaria das CEBs ao Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio é manifestação da fé devoção carinhosa a Nossa Senhora. Um convite ao compromisso e solidariedade fraterna. Somos chamados a viver em comunhão no dia a dia em nossas Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.

Uma ação coletiva expressiva. Envolver e deixar-se envolver, o ato de ir, de caminhar não só com os pés, também e principalmente com o coração, abrindo-se para o novo, tornar criaturas novas, porque caminhar revela a disposição de mudar interiormente, na plena certeza que o nosso Deus esta sim presente com a Mãe em seu santuário, mas Ele está presente em cada ser humano, no íntimo de cada uma e cada um de suas filhas e filhos. A romaria das CEBs quer ser um caminho de fortalecimento da fé e de compromisso na vivência comunitária.

Reavivar a fé, através da devoção à Mãe de Jesus e da Igreja é chamar à conversão. Somos um povo sacerdotal pelo batismo, convocados e enviados para implantar neste mundo os valores do Evangelho, a exemplo do testemunho da Mãe de Deus. Mulher que soube ser corajosa sem perder a humildade e a ternura, não desanimou, permaneceu firme até no caminho do calvário, sob o peso da cruz de seu Filho.

Como Maria, que conhece as dores e o sofrimento do povo, cada romeira e romeiro da Primeira Romaria das CEBs ao Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio sejam encorajados, animados e fortalecidos na fé para ser fermento que não deixem nossas CEBs a desanimar, a desistir e a perder a ternura da Mãe.

A romaria é um costume que se desenvolveu nas peregrinações ao templo de Jerusalém na tradição judaica. Os Evangelhos contam que Jesus costumava peregrinar a Jerusalém e frequentar o templo por ocasião das grandes festas litúrgicas. No Cristianismo primitivo, desde o século IV, tornou-se um costume de espiritualidade peregrinar aos túmulos dos apóstolos e mártires. Daí vem o nome de "romaria" (ir a Roma).

Nossa Senhora do Rocio apareceu em uma imagem singela, no século XVII, na Baía de Paranaguá, no mês de novembro, na rede de um pescador de alcunha “Berê”, Graças estas que brotam constantemente no meio do povo como o orvalho. Daquelas redes, passou para o coração e a vida do povo Paranaense.

A primeira Romaria das CEBs ao Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio, Padroeira do Paraná, na cidade de Paranaguá, será no dia 19 de maio de 2019, Arquidiocese de Maringá estará presente com 56 romeir@s. Que sob seu olhar, intercessora Maria, possamos experimentar a ternura da Mulher do Sim. Tu que soube viver de forma assídua a vontade de nosso Deus em sua vida, ajude-nos a dizer sim aos planos que nosso Deus tem para nossa vida hoje.

Agrademos a Rádio Colméia, parceira na organização.

Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora leiga das CEBs

II NORTÃO DAS CEBs em Porto Velho - RO


II Encontrão das Comunidades Eclesiais de Base na Amazônia (II Nortão das CEBs) acontecerá na Cidade de Porto Velho no período de 19 a 21 de julho deste ano de 2019.

O Encontro começa dia 19/07, sexta-feira, a partir das 18h, com acolhida e credenciamento. O término se dará no dia 21/07, domingo, no período da tarde, com uma grande celebração que fará memória dos 10 anos do 12º Intereclesial das CEBs, realizado em Porto Velho em 2009, o primeiro Intereclesial das CEBs no Norte.

Tema: “Espiritualidade das CEBs na Amazônia”; 
Lema: “Por causa da tua Palavra” (Lc 5,5).

O tema e o lema visam a refletir sobre a gênese das CEBs na Amazônia. No princípio, no começo da caminhada e o tempo todo, a Palavra de Deus é assumida como elemento absolutamente central na vida das comunidades, ao passo que o compromisso de encarná-la na realidade dos povos é vivido como verdadeiro horizonte da ação evangelizadora. Na grande plenária, no domingo de manhã, Dom Erwin Kläutler vai nos ajudar a refletir com o tema “CEBs na Amazônia: Palavra de Deus e encarnação na realidade”.

Percorrendo a Paraíba: CERSA realiza reunião em carneira e aborda causas ambientais com moradores



Zona rural do município de Junco do Seridó é uma das regiões afetadas pelas torres de energia eólica.

 Junco do Seridó localizada a cerca de 205Km da capital paraibana compreende a comunidade rural de Carneira, povoado que tem cerca de 6Km do município, a qual recebeu a visita do Comitê de Energia Renovável do Semiárido (CERSA). O encontro organizado pelos próprios moradores, contou com o apoio do Padre Luiz Gonzaga Pereira. O evento foi marcado com recital de poesia, roda de conversa, debate e plantação de árvores. A equipe do CERSA presente foi composta por César Nóbrega (coordenador geral), José Anchieta de Assis (engenheiro florestal) e Maria do Carmo Learth Cunha (engenheira florestal e professora). A reunião aconteceu no Grupo Escolar Municipal Castelo Branco. 
Iniciando com uma oração feita pelo Padre Luiz Gonzaga e seguido com um poema recitado por José Anchieta, a comunidade foi recepcionada. Na ocasião, a professora Maria do Carmo Cunha realizou uma doação de cinco mudas de plantas nativas da Caatnga, sendo plantadas pelos moradores. A professora e engenheira florestal, que defende a fauna e flora da região, realizou ainda uma fala sobre os cuidados a preservação da Caatinga, ressaltando a beleza contida nas vegetações e espécies nativas.




O debate foi aberto ao público em diversos momentos durante o evento. Cabe situar que, a comunidade Carneira recebeu algumas torres de energia eólica. A energia produzida não é utilizada na comunidade, mas transferida para outras localidades do país. A população, na oportunidade, apresentou algumas reclamações sobre alguns fatos ocorridos. Destacam-se assim, os barulhos causados pelas torres, a desvalorização das propriedades pelas quais as torres se estabelecem e o descaso ao meio ambiente. Segundo a professora e moradora da comunidade Maria Bernadete de Sousa, “é tudo muito bonito nos livros, na TV, porém na vida real as coisas são diferentes”, exclamou. 


O CERSA abordou o assunto de energias renováveis pelo seu coordenador Geral, César Nóbrega. O mesmo exibiu o vídeo sobre “Mapa das mudanças climáticas no Brasil” do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Sociais, e da Frente Por Uma Nova Política Energética Para O Brasil. César Nóbrega em sua apresentação pontuou os danos causados pelas energias centralizadas. Também mostrou que energias renováveis, como a eólica, se feita de maneira inapropriada efetua grandes percas para o meio ambiente, citando como exemplo o desmatamento.



Em defesa, José Frankiney de Sousa Andrade representando da empresa SKY ENERGY – empresa de energia eólica e segundo fala do representante ainda não desenvolveu atividades no local – exibiu seus argumentos, para ele a comunidade tem total liberdade de reclamação. Em debate com alguns moradores, o representando fez algumas pontuações negativas e positivas e destacou que, em alguns momentos, as atividades contribuem com dados ao meio ambiente. 


A iniciativa compõe o Projeto “Cuidando da Nossa Casa Comum”, realizado pelo CERSA, Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, Cáritas Brasileira, Frente Por Uma Nova Política Energética Para O Brasil e com apoio da Misereor.


10 maio, 2019

Que o nosso Deus abençoe a minha e a todas as Mães


É a floresta, estúpido!

O Brasil está perdendo capital político com as medidas do governo Bolsonaro sobre o meio ambiente. É a única área na qual o país era visto como 'soft power' global, escreve Thomas Milz, jornalista, em artigo publicado por Deutsche Welle, 09-05-2019.
Eis o artigo.
Na quarta-feira (08/05), oito ex-ministros do Meio Ambiente publicaram uma carta aberta com críticas à política ambiental do governo federal. O documento trata do prestígio do Brasil e sua posição no cenário internacional. Mas "as iniciativas em curso vão na direção oposta à de nosso alerta, comprometendo a imagem e a credibilidade internacional do país", segundo a carta.
Atualmente, o mundo olha para o Brasil com um misto de preocupação e meneios de cabeça. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por exemplo, anunciou cortes de 95% dos recursos para ações de combate aos efeitos das mudanças climáticas. Isso ocorreu exatamente no momento em que as Nações Unidasapresentaram o seu assustador relatório sobre a extinção global de espécies.
Porém, mais espantoso que o "timing" foi o fato de que, de qualquer maneira, o orçamento do ministério previa apenas R$ 11,8 milhões para a luta contra o aquecimento global. Enquanto alunos do ensino médio na Europa fazem greves por uma política ambiental melhor, o assunto parece não interessar a quase ninguém no Brasil. Pelo menos, não no governo.
Com isso, o Brasil joga fora o prestígio construído sob os ex-presidentes Lula e Dilmanas conferências internacionais do clima. Nessa época, na área do meio ambiente e das mudanças climáticas, o Brasil era um global player, um agente global. E, com isso, tinha nas mãos um poder de persuasão que dava peso ao país nas negociações internacionais. Será que, de fato, tudo isso está em risco?
Talvez o presidente Bolsonaro tenha copiado de seu ídolo Donald Trump a maneira como se alinhavam bons acordos. Assim, talvez, ele consiga elevar o preço que os países industrializados estão dispostos a pagar para salvar as florestas brasileiras. É que uma coisa é certa: sem o Brasil, nenhum acordo global do clima realmente eficaz poderá funcionar.
Por outro lado, não é possível enxergar qual é o grau de racionalidade da política de Bolsonaro. Será que ele realmente acredita em teorias da conspiração que dizem que as Nações Unidas querem roubar a Amazônia juntamente com os povos indígenas brasileiros?
E até que ponto Bolsonaro, como presidente, se deixa influenciar por ofensas pessoais? Assim, ele divulgou na quarta-feira que quer fazer mudanças, por decreto, na Estação Ecológica de Tamoios. Apenas lembrando: foi lá que, em 2012, Bolsonaro foi multado por pesca ilegal. O fiscal do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) responsável pela multa foi exonerado em março.
Agora, Bolsonaro quer transformar a região em torno de Angra dos Reis numa "nova Cancún no Brasil". O exemplo mexicano é conhecido pelas suas fortalezas hoteleiras de cimento e pelas áreas de lazer onde estudantes universitários americanos bebem até ficarem inconscientes durante as férias de primavera (o chamado spring break).
Será que a mais recente iniciativa de Bolsonaro é uma cruzada de vingança pessoal contra o Ibama e os ambientalistas impopulares? O presidente deve saber que nada atinge mais dolorosamente seus adversários políticos do que um ataque à natureza do Brasil. Cada árvore derrubada também é uma vitória contra o chamado "politicamente correto" tão odiado por ele.
Fonte: IHU


Ouvir o grito da terra e o grito dos pobres: uma mudança de paradigma necessária na mineração em vista do bem comum.

Nos dias 2 e 3 de maio de 2019, o Dicastério Vaticano para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, em colaboração com as Igrejas Anglicana e Metodista, organizou uma reunião de dois dias sobre o tema “Mineração para o Bem Comum”.
A nota é da Sala de Imprensa da Santa Sé, 06-05-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.



A reunião contou com a presença dos líderes de algumas das principais empresas de mineração e representantes das comunidades afetadas pela mineração. Entre estes últimos, estava Dari Laurindo Pereira, que compartilhou seu testemunho pessoal do desmoronamento da barragem de resíduos de mineração da Vale, em janeiro de 2019, em Brumadinho, Minas Gerais, que causou a morte de cerca de 300 pessoas e a poluição generalizada do ambiente dos principais rios nos arredores. Na reunião, também havia representantes das Igrejas locais, membros das organizações da Cáritas, assim como das Comissões de Justiça e Paz de todo o mundo.

Os dois dias de reflexão abordaram os desafios relacionados à mineração no contexto do bem comum. O primeiro dia foi dedicado ao intercâmbio entre representantes de organizações eclesiais, somados, no segundo dia, aos executivos das empresas de mineração.

O encontro incluiu uma audiência papal no dia 3 de maio, durante a qual o Santo Padre compartilhou sua exortação aos participantes: “Sabemos que ‘o mercado, por si mesmo, não garante o desenvolvimento humano integral nem a inclusão social’ (Laudato si’, n. 109) e que ‘a proteção ambiental não pode ser assegurada somente com base no cálculo financeiro de custos e benefícios’ (ibid., n. 190). Precisamos de uma mudança de paradigma em todas as nossas atividades econômicas, incluindo a mineração”.

O Santo Padre enfatizou: “A atenção para a segurança e o bem-estar das pessoas envolvidas nas operações de mineração, assim como o respeito pelos direitos humanos fundamentais dos membros das comunidades locais e daqueles que defendem suas causas são de fato princípios inegociáveis. A mera responsabilidade social corporativa não é suficiente”.

Eis o discurso.

Caros irmãos e irmãs,

Dou as minhas boas-vindas a todos vocês e agradeço ao cardeal Turkson pela sua introdução. Agradeço-lhes por terem vindo ao Vaticano para abordar esse diálogo sobre o tema "Indústria da mineração para o bem comum”.

Na encíclica Laudato si’, em mérito ao preocupante estado do planeta, sublinhei a exigência de “entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum” (n. 3). Precisamos de um diálogo que responda efetivamente tanto ao grito da Terra quanto ao grito dos pobres (cf. ibid., n. 49). Aprecio de modo particular que, no seu encontro, representantes das comunidades envolvidas nas atividades de mineração e responsáveis pelas companhias mineradoras se reuniram em torno da mesma mesa. Isso é louvável e é um passo essencial no caminho do progresso. Devemos encorajar esse diálogo para que continue e se torne a norma, e não a exceção. Eu os parabenizo porque vocês se aventuraram no caminho do diálogo recíproco com espírito de honestidade, coragem e fraternidade.

As precárias condições da nossa casa comum se devem principalmente a um modelo econômico que vem sendo seguido há muito tempo. É um modelo voraz, orientado ao lucro, com um horizonte limitado e baseado na ilusão do crescimento econômico ilimitado. Embora muitas vezes assistamos ao seu desastroso impacto sobre o mundo natural e sobre a vida das pessoas, ainda estamos relutantes à mudança. “Os poderes econômicos continuam a justificar o sistema mundial atual, onde predomina uma especulação e uma busca de receitas financeiras que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e sobre o meio ambiente” (ibid., n. 56).

Estamos cientes de que “o mercado, por si mesmo, não garante o desenvolvimento humano integral nem a inclusão social” (ibid., n. 109) e que “a proteção ambiental não pode ser assegurada somente com base no cálculo financeiro de custos e benefícios” (ibid., n. 190). Precisamos de uma mudança de paradigma em todas as nossas atividades econômicas, incluindo as atividades de mineração.

Nesse contexto, o título do seu encontro, “Atividade mineradora para o bem comum”, é muito apropriado. O que isso implica concretamente? Permitam-me articular algumas reflexões a esse respeito que poderiam ser úteis para vocês no seu diálogo.

Acima de tudo, a atividade mineradora, assim como toda atividade econômica, deveria estar a serviço da comunidade humana inteira. Como escreveu São Paulo VI: “Deus destinou a terra e tudo o que ela contém para o uso de todos os homens e de todos os povos, para que os bens da criação afluam igualmente para as mãos de todos” [1]. Esse é um pilar do ensinamento social da Igreja. Nessa perspectiva, o envolvimento das comunidades locais é importante em todas as fases dos projetos de atividade mineradora. “É sempre necessário alcançar consenso entre os vários atores sociais, que podem trazer diferentes perspectivas, soluções e alternativas. Mas, no debate, devem ter um lugar privilegiado os moradores locais, aqueles mesmos que se interrogam sobre o que desejam para si e para os seus filhos e podem ter em consideração as finalidades que transcendem o interesse econômico imediato” (Laudato si’, n. 183).

À luz do iminente Sínodo sobre a Amazônia, gostaria de salientar que “é indispensável prestar uma atenção especial às comunidades aborígenes com as suas tradições culturais. Não são apenas uma minoria entre outras, mas devem tornar-se os principais interlocutores, especialmente quando se avança com grandes projetos que afetam os seus espaços” (ibid., n. 146). Essas comunidades vulneráveis têm muito a nos ensinar. “Com efeito, para eles, a terra não é um bem econômico, mas dom gratuito de Deus e dos antepassados que nela descansam, um espaço sagrado com o qual precisam de interagir para manter a sua identidade e os seus valores. (...) Em várias partes do mundo, porém, são objeto de pressões para que abandonem suas terras e as deixem livres para projetos extrativistas e agropecuários que não prestam atenção à degradação da natureza e da cultura” (ibid.). Exorto a todos que respeitem os direitos humanos fundamentais e a voz das pessoas dessas belas, mas frágeis comunidades.

Em segundo lugar, a atividade mineradora deveria estar a serviço da pessoa humana, e não o contrário. Como o Papa Bento XVI escreveu, “nas intervenções em prol do desenvolvimento, há que salvaguardar o princípio da centralidade da pessoa humana, que é o sujeito que primariamente deve assumir o dever do desenvolvimento” [2]. Cada pessoa é preciosa diante dos olhos de Deus, e os seus direitos humanos fundamentais são sagrados e inalienáveis, independentemente da condição social ou econômica. A atenção à proteção e ao bem-estar das pessoas envolvidas nas operações mineradoras, assim como o respeito pelos direitos humanos fundamentais dos membros das comunidades locais e daqueles que defendem as suas causas são princípios inegociáveis. Somente a responsabilidade social das empresas não é suficiente. Devemos assegurar que as atividades mineradoras levem ao desenvolvimento humano integral de toda e qualquer pessoa e da comunidade inteira.

Em terceiro lugar, é necessário encorajar o desenvolvimento de uma economia circular, especialmente na esfera das atividades mineradoras. Considero que a observação dos meus irmãos bispos da América Latina, feita na sua recente Carta Pastoral sobre as atividades extrativistas, é muito pertinente. Eles escrevem: “Por ‘extrativismo’, entendemos uma tendência desenfreada do sistema econômico de transformar em capital os bens da natureza. A ação de “extrair” a maior quantidade de materiais no menor tempo possível, convertê-los em matérias-primas e fatores produtivos que a indústria utilizará, serão transformados em produtos e serviços que outros comercializarão, a sociedade consumirá, e, portanto, a própria natureza receberá na forma de resíduos poluentes, é o circuito consumista que é criado com velocidade e risco cada vez maiores” [3].

Devemos denunciar e evitar essa cultura do descarte. “O sistema industrial, no final do ciclo de produção e consumo, não desenvolveu a capacidade de absorver e reutilizar resíduos e escórias. Ainda não se conseguiu adotar um modelo circular de produção que assegure recursos para todos e para as gerações futuras e que exige limitar, o mais possível, o uso dos recursos não renováveis, moderando o seu consumo, maximizando a eficiência no seu aproveitamento, reutilizando e reciclando-os” (Laudato si’, n. 22). A promoção de uma economia circular e a abordagem “reduzir, reutilizar, reciclar” também estão muito em consonância com o Consumo Sustentável e os Modelos de Produção promovidos no 12º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Além disso, as tradições religiosas sempre apresentaram a sobriedade como um componente-chave de um estilo de vida ético e responsável. A sobriedade também é vital para salvar a nossa casa comum. “Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra” (Mt 5, 5).

Caros irmãos e irmãs, os nossos esforços e a nossa luta para salvaguardar a casa comum são verdadeiramente um percurso ecumênico, que nos desafia a pensar e a agir como membros de uma casa comum (oecumene). Estou particularmente feliz que o encontro de vocês reuniu representantes de Igrejas e Comunidades de fé de todo o mundo. Agradeço também aos representantes da indústria da mineração por terem aderido a essa conversa. Precisamos agir juntos para sanar e reconstruir a nossa casa comum. Somos todos chamados a “colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades” (Laudato si’, n. 14).

Desejo que o encontro de vocês seja realmente um momento de discernimento e possa guiar a uma ação concreta. Desejo que, como escreveram os bispos latino-americanos, vocês possam “analisar, interpretar, discernir o que é apropriado ou não nas atividades extrativistas nos territórios e, portanto, propor, planejar, agir para transformar o nosso estilo de vida, influenciar as políticas de energia da mineração de Estados e governos, assim como as políticas e as estratégias das empresas dedicadas ao extrativismo, a fim de realizar o bem comum e um autêntico desenvolvimento humano, sustentável e integral” [4].

O seu encontro é importante porque vocês estão tratando de questões que concernem ao futuro da nossa casa comum e ao futuro dos nossos filhos e das futuras gerações. “É preciso tomar consciência de que é a nossa própria dignidade que está em jogo. Somos nós os primeiros interessados em deixar um planeta habitável para a humanidade que nos vai suceder. Trata-se de um drama para nós mesmos, porque isto chama em causa o significado da nossa passagem por esta terra” (Laudato si’, n. 160). Que vocês nunca percam de vista esse grande horizonte!

Com afeto, abençoo a vocês, as suas famílias e as suas comunidades. Por favor, rezem também por mim. Obrigado.

Notas:

1. Carta encíclica Populorum progressio, 22.
2. Carta encíclica Caritas in veritate, 47.
3. CELAM, Discipulos misioneros custodios de la casa común. Discernimiento a la luz de la encíclica Laudato si’, Bogotá, janeiro de 2018, n. 11.
4. CELAM, Discipulos misioneros custodios de la casa común. Discernimiento a la luz de la encíclica Laudato si’, Bogotá, janeiro de 2018, n. 12.


Fonte: IHU