"Quero saber se você pode ver a beleza mesmo quando o que vê não é bonito, todos os dias, e se você pode buscar a fonte de sua vida em sua presença. Quero saber se você pode conviver com o fracasso, seu e meu, e ainda postar-se à beira de um lago e gritar à lua cheia prateada: “Sim!”." (Oriah Mountain Dreamer).
08 abril, 2020
Memória da Preparação da Ceia e da Traição de Judas
8 de abril – Quarta-Feira da Semana Santa
Memória da Preparação da Ceia e da Traição de Judas
Celebração em família
“Respondei-me pelo vosso imenso amor,
neste tempo favorável,
Senhor Deus.”
"Amou-nos até o fim, amou-nos até o fim.
Amou-nos,
amou-nos até o fim!"
Um tempo de grande incerteza. Entrevista com o papa Francisco
Em uma entrevista exclusiva ao The Tablet – a sua primeira para uma publicação britânica – o papa Francisco fala que essa extraordinária Quaresma e Tempo Pascal pode ser um momento de criatividade e conversão para a Igreja, para o mundo e para toda a criação.
Próximo ao final de março, sugeri ao papa Francisco que este poderia ser um bom momento para se dirigir ao mundo da língua inglesa: a pandemia que tanto afetou a Itália e a Espanha estava chegando ao Reino Unido, aos Estados Unidos e à Austrália. Sem compromisso com nada, ele me pediu para que lhe enviasse algumas questões. Eu escolhi seis temas, cada um com uma série de questões que ele poderia responder ou não, conforme ele quisesse. Uma semana depois, recebi o comunicado de que ele escreveu algumas reflexões em resposta às questões.
A entrevista é de Austen Ivereigh, autor da biografia do papa Francisco, intitulada, em português, "O Grande Reformador", publicada por The Tablet, 07-04-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.
A entrevista também é publicada por Commonweal, EUA, e pelo jornal ABC, Espanha.
Eis a entrevista.
A primeira questão foi sobre como ele estava vivenciando a pandemia e o lockdown, ambos na residência Santa Marta e na administração do Vaticano (“a Cúria”), mais amplamente, tanto na prática quanto na espiritualidade.
A Cúria está tentando fazer o seu trabalho, e vive normalmente, se organizando em escalas, para que não estejam todos presentes ao mesmo tempo. Isso tem funcionado bem. Nós estamos aplicando as medidas recomendadas pelas autoridades de saúde. Aqui na residência Santa Marta nós temos duas escalas para as refeições, o que nos ajuda a amenizar o impacto. Todos trabalham em seus escritórios ou salas, usando a tecnologia. Todos estão trabalhando; não há infectados aqui.
Como eu estou vivendo a espiritualidade? Eu estou rezando mais, porque eu sinto que devo. E eu penso no povo. Isso é o que me preocupa: o povo. Pensando no povo , isso me faz bem, isso tira a preocupação de mim. Claro, eu tenho minhas áreas de egoísmo. Nas terças-feiras meu confessor vem, e cuido dessas coisas.
Eu penso nas minhas responsabilidades de agora e o que virá depois. O que será do meu serviço como bispo de Roma, como chefe da Igreja, depois disso? O depois já está começando a ser revelado como trágico e doloroso, é por isso que nós precisamos pensar sobre isso já. O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral vem trabalhando nisso, e está se reunindo comigo.
Minha maior preocupação – ao menos o que vem através da minha oração – é como acompanhar e estar próximo do povo de Deus. É devido a isso o streaming ao vivo da missa às 7h da manhã, celebrada todos os dias, que está sendo apreciado e seguido por muitas pessoas, assim como a benção do dia 27 de março na Praça São Pedro. Por isso, também, que as atividades de caridade da Esmolaria Apostólica atendem aos doentes e aos famintos.
Eu estou vivendo este como um tempo de grande incerteza. Este é o tempo para inventar, para a criatividade.
Na segunda questão, eu referenciei uma novela do século XIX, muito querida pelo papa Francisco, a qual ele recentemente mencionou: I Promessi Sposi (Os noivos), de Alessandro Manzoni. A novela centra-se sobre a praga de Milão em 1630. Aqui estão vários personagens clericais: o covarde dom Abbondio, o santo cardeal Borromeo e os frei capuchinhos que servem aos lazarentos, em uma espécie de hospital de campanha, no qual os infectados estão rigorosamente longe dos saudáveis. Sob a luz da novela, como o papa Francisco vê a missão da Igreja no contexto da covid-19?
O cardeal Federico Borromeo realmente é um herói da praga de Milão. Porém, em um dos capítulos, ele saúda a cidade, mas com a janela da carruagem fechada para proteger a si mesmo. Ele não se sai bem com o povo. O povo de Deus precisa do seu pastor próximo a eles, não superprotegendo a si mesmo. O povo de Deus necessita dos seus pastores fazendo autossacrifício, como os Capuchinhos, estando próximos.
A criatividade dos cristãos precisa mostrar novos horizontes, abrindo as janelas, abrindo a transcendência em direção a Deus e ao povo e criando novas formas de estar em casa. Não é fácil estar confinado na sua casa. O que me vem à mente é um verso de Eneida em meio à derrota: o conselho é não desistir, mas salvar a si mesmo para os tempos melhores, por isso relembrar o que aconteceu naqueles tempos nos ajudará. Cuidem-se para um futuro que virá. E lembrar no futuro o que aconteceu fará bem a você.
Cuide do agora, pelo bem de amanhã. Sempre criativamente, com uma criatividade simples, capaz de inventar algo novo a cada dia. Dentro de casa, isso não é difícil de descobrir, mas não fuja, não se refugie no escapismo, que neste momento não é útil para você.
Minha terceira questão foi sobre políticas governamentais em resposta à crise. Embora a quarentena da população seja um sinal de que alguns governos estão dispostos a sacrificar o bem-estar econômico em benefício das pessoas vulneráveis, sugeri que também estivesse expondo níveis de exclusão considerados normais e aceitáveis até agora.
É verdade que vários governos adotaram medidas exemplares para defender a população com base em prioridades claras. Mas estamos percebendo que todo o nosso pensamento, goste ou não, foi moldado em torno da economia. No mundo das finanças, parecia normal sacrificar [pessoas], praticar uma política da cultura descartável, do começo ao fim da vida. Estou pensando, por exemplo, na seleção pré-natal. Hoje em dia, é muito incomum conhecer pessoas com Síndrome de Down nas ruas; quando o tomógrafo os detecta, eles são descartados. É uma cultura de eutanásia, legal ou secreta, na qual os idosos estão recebendo medicamentos, mas só até certo ponto.
O que vem à mente é a encíclica Humanae Vitae do papa Paulo VI. A grande controvérsia da época era sobre a pílula [contraceptiva], mas o que as pessoas não percebiam era a força profética da encíclica, que previa o neomalthusianismo que estava começando a acontecer em todo o mundo. Paulo VI soou o alarme sobre essa onda de neomalthusianismo. Vemos isso na maneira como as pessoas são selecionadas de acordo com sua utilidade ou produtividade: a cultura do descarte.
Agora mesmo, os sem-teto continuam sem-teto. Uma foto apareceu no outro dia de um estacionamento em Las Vegas, onde eles foram colocados em quarentena. E os hotéis estavam vazios. Mas os sem-teto não podem ir a um hotel. Essa é a cultura do descarte na prática.
Fiquei curioso para saber se o Papa viu a crise e a devastação econômica como uma chance de uma conversão ecológica, de reavaliar prioridades e estilos de vida. Perguntei-lhe concretamente se era possível ver no futuro uma economia que – para usar suas palavras – era mais “humana” e menos “líquida”.
Há uma expressão em espanhol: “Deus sempre perdoa, nós perdoamos às vezes, mas a natureza nunca perdoa”. Não respondemos às catástrofes parciais. Quem agora fala dos incêndios na Austrália, ou lembra que há 18 meses um barco poderia atravessar o Polo Norte porque todas as geleiras haviam derretido? Quem fala agora das inundações? Não sei se é a vingança da natureza, mas certamente são as respostas da natureza.
Temos uma memória seletiva. Eu quero me debruçar sobre este ponto. Fiquei impressionado com a comemoração do septuagésimo aniversário do desembarque na Normandia, com a presença de pessoas dos mais altos níveis de cultura e política. Foi uma grande festa. É verdade que marcou o início do fim da ditadura, mas ninguém parecia se lembrar dos 10 mil jovens que permaneceram naquela praia.
Quando fui a Redipuglia, pelo centenário da Primeira Guerra Mundial, vi um belo monumento e nomes em uma pedra, mas foi isso. Eu chorei, pensando na frase de Bento XV: inutile strage (“massacre sem sentido”). O mesmo aconteceu comigo em Anzio no Dia de Finados, pensando em todos os soldados norte-americanos enterrados lá, cada um deles com uma família e como qualquer um deles poderia ter sido eu.
Neste momento na Europa, quando começamos a ouvir discursos populistas e testemunhar decisões políticas desse tipo seletivo, é muito fácil lembrar os discursos de Hitler em 1933, que não eram tão diferentes dos discursos de alguns políticos europeus atualmente.
O que vem à mente é outro versículo de Virgílio: [forsan et haec olim] meminisse iubavit [“talvez um dia seja bom lembrar dessas coisas”]. Precisamos recuperar nossa memória porque a memória virá em nosso auxílio. Não é a primeira praga da humanidade, as outras tornaram-se meras anedotas. Nós precisamos lembrar de nossas raízes, de nossa tradição repleta de memórias. Nos exercícios espirituais de Santo Inácio, na Primeira Semana, bem como na “Contemplação para alcançar o Amor”, na quarta semana, são completamente lembrados. É uma conversão através da memória.
Essa crise está afetando a todos nós, ricos e pobres, e colocando em foco a hipocrisia. Estou preocupado com a hipocrisia de certas personalidades políticas que falam em enfrentar a crise, no problema da fome no mundo, mas que, entretanto, fabricam armas. Este é um momento para ser convertido a partir desse tipo de hipocrisia funcional. É hora de integridade. Ou somos coerentes com nossas crenças ou perdemos tudo.
Você me pergunta sobre conversão. Toda crise contém perigo e oportunidade: a oportunidade de sair do perigo. Hoje acredito que temos que diminuir nossa taxa de produção e consumo (Laudato Si’, 191) e aprender a entender e contemplar o mundo natural. Precisamos nos reconectar com nosso ambiente real. Esta é a oportunidade de conversão.
Sim, vejo sinais precoces de uma economia menos líquida, mais humana. Mas não vamos perder nossa memória depois que tudo isso tiver passado, não vamos arquivá-la e voltar para onde estávamos. Este é o momento de dar o passo decisivo, de passar do uso e mau uso da natureza para a contemplação. Perdemos a dimensão contemplativa; temos que recuperá-la neste momento.
E por falar em contemplação, gostaria de me debruçar sobre um ponto. Este é o momento de olhar para os pobres. Jesus diz que sempre teremos os pobres conosco, e é verdade. Eles são uma realidade que não podemos negar. Mas os pobres estão escondidos, porque a pobreza é tímida. Recentemente, em Roma, no meio da quarentena, um policial disse a um homem: “Você não pode estar na rua, vá para casa”. A resposta foi: “Não tenho casa. Eu moro na rua”. Descobrir o enorme número de pessoas que estão à margem... E não as vemos, porque a pobreza é tímida. Eles estão lá, mas nós não os vemos: eles se tornaram parte da paisagem; são coisas.
Santa Teresa de Calcutá os viu e teve a coragem de embarcar em uma jornada de conversão. “Ver os pobres” significa restaurar sua humanidade. Eles não são coisas, não são descartáveis; eles são pessoas. Não podemos nos contentar com uma política de bem-estar como a que temos para animais resgatados. Muitas vezes tratamos os pobres como animais resgatados. Não podemos nos contentar com uma política de bem-estar parcial.
Vou me atrever a oferecer alguns conselhos. Este é o momento de ir ao subterrâneo. Estou pensando no romance curto de Dostoiévski, Memórias do Subsolo. Os funcionários daquele hospital prisional ficaram tão acostumados que tratavam seus pobres presos como coisas. E, vendo a forma como era tratado alguém que acabara de morrer, o que estava na cama ao lado lhes diz: “Basta! Ele também teve uma mãe!”. Precisamos dizer isso a nós mesmos com frequência: aquela pobre pessoa teve uma mãe que o criou com amor. Ao decorrer da vida não sabemos o que acontece. Mas é bom pensar no amor que ele recebeu pela esperança de sua mãe.
Nós desempoderamos os pobres. Não lhes damos o direito de sonhar com suas mães. Eles não sabem o que é carinho; muitos vivem das drogas. E vê-los pode nos ajudar a descobrir a piedade, as "pietás", que apontam para Deus e para o próximo.
Desçamos ao subterrâneo e passemos do mundo hipervirtual e sem carne para o sofrimento da carne dos pobres. Esta é a conversão que temos que passar. E se não começarmos por aí, não haverá conversão.
Hoje estou pensando nos santos que moram ao lado. Eles são heróis: médicos, voluntários, irmãs religiosas, padres, lojistas – todos cumprindo seu dever para que a sociedade possa continuar funcionando. Quantos médicos e enfermeiros morreram! Quantas irmãs religiosas morreram! Todos servindo... O que me vem à mente é algo dito pelo alfaiate, na minha opinião, um dos personagens com maior integridade em Os noivos. Ele diz: “O Senhor não deixa seus milagres pela metade”. Se tomarmos consciência desse milagre dos santos da porta ao lado, se pudermos seguir seus rastros, o milagre terminará bem, para o bem de todos. Deus não deixa as coisas pela metade. Somos nós que fazemos isso.
O que estamos vivendo agora é um lugar de metanoia (conversão), e temos a chance de começar. Então, não vamos deixar escapar isso, e vamos seguir em frente.
Minha quinta questão é centrada nos efeitos da crise sobre a Igreja e a necessidade de repensar nossas formas de operar. Ele vê emergir uma Igreja mais missionária, mais criativa, menos preocupada com as instituições, a partir disso? Estamos vendo uma nova forma de “Igreja nas casas”?
Menos apegado às instituições? Eu diria menos apegado a certas maneiras de pensar. Porque a Igreja é instituição. A tentação é sonhar com uma igreja desinstitucionalizada, uma igreja gnóstica sem instituições ou sujeita a instituições fixas, que seria uma igreja pelagiana. Quem faz a Igreja é o Espírito Santo, que não é gnóstico, nem pelagiano. É o Espírito Santo que institucionaliza a Igreja, de uma maneira alternativa e complementar, porque o Espírito Santo provoca desordem através dos carismas, mas daí a desordem cria harmonia.
Uma igreja que é livre não é uma igreja anárquica, porque a liberdade é um presente de Deus. Uma igreja institucional significa uma igreja institucionalizada pelo Espírito Santo.
Uma tensão entre desordem e harmonia: esta é a Igreja que deve sair da crise. Temos que aprender a viver em uma igreja que existe na tensão entre harmonia e desordem provocada pelo Espírito Santo. Se você me perguntar qual livro de teologia pode melhor ajudá-lo a entender isso, seriam os Atos dos Apóstolos. Lá você verá como o Espírito Santo desinstitucionaliza o que não é mais útil e institucionaliza o futuro da Igreja. Essa é a Igreja que precisa sair da crise.
Cerca de uma semana atrás, um bispo italiano, um tanto perturbado, me ligou. Ele andava pelos hospitais querendo dar absolvição àqueles dentro das enfermarias do corredor do hospital. Mas ele conversou com advogados canônicos que lhe disseram que não, que a absolvição só poderia ser dada em contato direto. “O que você acha, padre?”, me perguntou. Eu disse a ele: “Bispo, cumpra seu dever sacerdotal”. E o bispo disse “Grazie, ho capito” (“Obrigado, eu entendi”). Descobri depois que ele estava dando absolvição por todo lugar.
Esta é a liberdade do Espírito no meio de uma crise, não uma Igreja fechada em instituições. Isso não significa que o direito canônico não seja importante: é, ajuda e, por favor, façamos bom uso dele, é para o nosso bem. Mas o cânone final diz que toda a lei canônica é para a salvação das almas, e é isso que abre a porta para sairmos em momentos de dificuldade para trazer o consolo de Deus.
Você me pergunta sobre uma “igreja local”. Temos que responder ao nosso confinamento com toda a nossa criatividade. Podemos ficar deprimidos e alienados – através da mídia que pode nos tirar da realidade – ou podemos ser criativos. Em casa, precisamos de uma criatividade apostólica, uma criatividade despida de tantas coisas inúteis, mas com um desejo de expressar nossa fé na comunidade, como povo de Deus. Então: estar preso, mas ansioso, com aquela memória que anseia e gera esperança – é isso que nos ajudará a escapar de nosso confinamento.
Por fim, pergunto ao papa Francisco como está sendo o chamado para viver essa Quaresma e Tempo Pascal extraordinários. Perguntei se ele tinha uma mensagem particular aos idosos que estão sofrendo com o autoisolamento, para os jovens confinados, e para aqueles que encaram a pobreza como resultado da crise.
Você fala dos idosos isolados: solidão e distância. Quantos idosos existem cujos filhos não vão visitá-los em tempos normais! Lembro-me de Buenos Aires, quando visitava as casas de idosos, e perguntava: como está sua família? Bem, bem! Eles vêm? Sim, sempre! Então a enfermeira me chamava de lado e dizia que os filhos não os viam há seis meses. Solidão e abandono... distância.
No entanto, os idosos continuam a ser nossas raízes. E eles devem falar com os jovens. Essa tensão entre jovens e idosos deve sempre ser resolvida no encontro entre si. Porque o jovem é broto e folhagem, mas sem raízes, não pode dar frutos. Os idosos são as raízes. Hoje eu diria a eles: sei que sentem que a morte está próxima e têm medo, mas procurem outro lugar, lembrem-se de seus filhos e não parem de sonhar. É isso que Deus pede de vocês: sonhar (Joel 3, 1).
O que eu diria aos jovens? Tenha a coragem de olhar para o futuro e ser profético. Que os sonhos dos velhos correspondam às suas profecias - também Joel 3, 1.
Aqueles que foram empobrecidos pela crise estão hoje desprovidos, são adicionados como mais um número de desprovidos de todos os tempos, homens e mulheres cujo status é “desprovido”. Eles perderam tudo ou vão perder tudo. Que significado a miséria tem para mim, à luz do Evangelho? Significa entrar no mundo dos necessitados, entender que quem já teve, não o tem mais. O que eu peço às pessoas é que levem os idosos e os jovens sob suas asas, que levem a história sob suas asas, as pessoas carentes sob suas asas.
O que vem à mente agora é outro verso de Virgílio, no final do Livro 2 da Eneida, quando Eneias, após a derrota em Troia, perdeu tudo. Dois caminhos estão diante dele: permanecer ali para chorar e acabar com sua vida, ou seguir o que estava em seu coração, subir a montanha e deixar a guerra para trás. É um verso bonito: Cessi, et sublato montem genitore petivi (“Dei lugar ao destino e, carregando meu pai nos ombros, fui para a montanha”).
É isso que todos temos que fazer agora, hoje: levar conosco as raízes de nossas tradições e fazer o caminho, subir a montanha.
Fonte: IHU
07 abril, 2020
Memória da entrega do Servo Sofredor
7 de abril – Terça-Feira da Semana Santa
Memória da entrega do Servo Sofredor
Celebração em família
“Minha boca anunciará vossa justiça”
"Amou-nos até o fim, amou-nos até o fim.
Amou-nos,
amou-nos até o fim!"
Auxílio emergencial de R$ 600
Auxílio emergencial de R$ 600
Terão direito ao benefício, que será pago por até três
meses, trabalhadores informais, desempregados, MEIs e contribuintes individuais
do INSS, que cumpram requisito de renda média.
Site e aplicativo Auxílio emergencial de R$ 600
O aplicativo deve ser usado pelos trabalhadores que forem:
- Microempreendedores Individuais (MEIs)
- Trabalhadores informais sem registro e contribuintes
individuais do INSS.
Aqueles que já recebem o Bolsa Família, ou que estão
inscritos no Cadastro Único, não precisam se inscrever pelo aplicativo. O
pagamento será feito automaticamente.
No link abaixo como saber se você está no Cadastro Único
·
Clique aqui para fazer a inscrição pelo site:
·
Clique aqui para baixar o aplicativo para celulares Android:
·
Clique aqui para baixar o aplicativo para iOS (celulares Apple):
Relatório assinado por Mandetta reforça importância de isolamento social
Um artigo assinado por membros do Ministério da Saúde,
incluindo o ministro Luiz Henrique Mandetta, e especialistas de diversas
universidades reforça a necessidade de se manter o isolamento social, para a
contenção do novo coronavírus, e prevê o aumento de casos nos próximos meses no
Brasil.
Veja a matéria na íntegra AQUI
O Papa cria um fundo para as áreas de missão afetadas pelo vírus
A contribuição inicial feita por Francisco é de 750 mil
dólares. As Igrejas que podem, pede o Papa, contribuam através das Pontifícias
Obras Missionárias. Tagle: uma rede para ajudar milhões de pessoas vulneráveis.
Fala-se pouco, mas depois da China, o Ocidente é o maior
“viveiro”. Na realidade, os números falam de uma pandemia que vem se estendendo
há algum tempo também nas regiões do hemisfério sul, especialmente na América
Latina, mas também na África. Estas são áreas que para a Igreja são terras de
missão, onde a escassez de meios junto com o coronavírus podem criar situações
muito difíceis. Por isso, o Papa decidiu ajudar essas áreas, instituindo um
fundo de emergência nas Pontifícias Obras Missionárias, com uma contribuição
inicial de 750 mil dólares.
Leia a matéria na íntegra AQUI
06 abril, 2020
Para refletir
Os pobres
“Jesus se identifica com eles. Seremos julgados sobre nossa relação com os pobres.” (Papa Francisco)
Prece
"Penso
num grave problema que existe em várias partes do mundo. Gostaria que hoje
rezássemos pelo problema da superlotação nos cárceres. Onde há uma superlotação
– muita gente ali – há o perigo, nesta pandemia, de que se acabe numa grave
calamidade. Rezemos pelos responsáveis, por aqueles que devem tomar as decisões
nisso, a fim de que encontrem um caminho justo e criativo para resolver o
problema." (Papa Francisco)
Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos emite nota a respeito da Covid-19
Leia a nota da SBCC na íntegra:
Nós, membros da SBCC, diante da pandemia do
Covid-19, fazemo-nos próximos e solidários aos brasileiros neste momento de
angústia, incertezas e esperanças. Reconhecemos o grande valor dos cientistas,
profissionais da saúde e de todos os demais que têm papel indispensável nesta
hora. Queremos também contribuir para a promoção e defesa da vida, o bem maior.
A Organização Mundial da Saúde, o Ministério da
Saúde e a comunidade científica têm indicado algumas ações que já estão em
andamento para conter o avanço da doença e assim evitar o colapso do sistema de
saúde, bem como reduzir o número de mortes causadas pela Covid-19.
Considerando-se que muitas outras ações ainda precisarão ser desenvolvidas, a
SBCC propõe aos pesquisadores católicos as seguintes reflexões:
1 – É preciso priorizar temporalmente os
esforços científicos, técnicos e econômicos, de modo que soluções para os
problemas mais relevantes sejam rapidamente levantadas, tendo em conta o valor
inegociável da vida humana. Sob este valor, devem estar subordinadas todas as
demais preocupações políticas e econômicas.
2 – A aplicação em larga escala de vacinas,
medicamentos e outros tratamentos deve ser baseada em conhecimentos científicos
comprovados ou, quando em condições extremas, em protocolos clínicos
devidamente justificados. Comunidades humanas não podem ser usadas como
cobaias, a fim de obter conhecimento. Isso inverte a lógica de uma ciência
humanista e fere a ética científica em diferentes níveis. Neste mesmo sentido,
as medidas políticas, sociais e econômicas adotadas devem estar baseadas em
modelos que priorizem vidas, seja evitando a disseminação da doença, seja
garantindo a subsistência dos indivíduos num cenário pós-epidemia.
3 – É mister estabelecer, em espírito
solidário, um diálogo efetivo e transdisciplinar para encontrar a dosimetria
adequada das ações no complexo enfrentamento da crise. Deve-se buscar ações
econômicas e de organização social baseadas em um humanismo solidário, que
visem o bem comum e protagonizem a opção preferencial pelos pobres.
4 – Ao fim dessa crise, a sociedade terá a
oportunidade de reavaliar os papéis tanto da comunidade científica quanto dos
profissionais de saúde, por vezes preteridos de incentivos públicos e privados,
no cenário nacional. Reafirmamos sua importância e a necessidade de que suas
orientações sejam seguidas por parte das autoridades civis, eclesiásticas, e
toda sociedade de modo geral.
Em tempo, conclamamos esses profissionais a que
assumam, com profunda solidariedade e colaboração, suas funções tão necessárias
nesse momento crítico em que vivemos. Pedimos a todos os irmãos para que rezem
por esses profissionais e que nos unamos a Cristo para sermos sinais de
esperança.
27 de março de 2020.
04 abril, 2020
Amou-nos até o fim
Prece
"Nestes momentos de desconforto, de dificuldades, de
dor, muitas vezes as pessoas veem a possibilidade de fazer uma ou outra coisa,
muitas coisas boas. Mas também não deixa de vir a alguém a ideia não muito boa,
de aproveitar o momento e aproveitar para si mesmo, para obter lucro. Rezemos
hoje a fim de que o Senhor nos dê a todos uma consciência reta, uma consciência
transparente, que possa mostrar-se a Deus sem envergonhar-se." (Papa
Francisco)
03 abril, 2020
Semana Santa em Família Paroquia São Mateus
A Paróquia São Mateus Apóstolo de Maringá, disponibiliza celebrações
propostas para cada dia da Semana Santa devem ser realizadas,
preferencialmente, em família, reunindo aqueles que moram na mesma residência.
A inspiração parte do Ofício Divino das Comunidades, adaptando-o às nossas
condições.
Essa celebração familiar é autêntica liturgia e, em virtude
do sacerdócio batismal dos fiéis, realiza sacramentalmente o Mistério Pascal de
Cristo.
Acesse a celebração AQUI
Qual é a melhor hora do dia para fazer exercício em casa?
Em tempos de confinamento, muitas pessoas aproveitam para
praticar esportes, mas é importante saber como encaixar a atividade na nova
rotina diária.
Finalmente, não se trata apenas de fazer exercício só em uma
determinada hora, mas de saber distribuir o exercício ao longo do dia. Pois, se
o objetivo é se manter ativo, não faz sentido fazer uma sessão intensiva de uma
hora e passar o resto do dia deitado no sofá.
Dependendo do que estamos buscando com nosso treinamento, é
melhor fazê-lo em um determinado horário
Emagrecer ou fazer musculação?
Conseguir manter rotinas
O tipo de exercício
Divide e vencerás
Lea a matéria AQUI
31 março, 2020
Um impeachment nunca é igual a outro
"A manutenção do governo Bolsonaro é, progressivamente, uma situação cada vez mais instável e difícil. Suas condutas, seus movimentos, suas declarações, seus enfrentamentos na conjuntura da pandemia, tanto nos aspectos sanitários quanto nos aspectos econômicos, aumentam a cisão entre as frações que compõem seu bloco de sustentação; e estão a erodir seu apoio em setores de empregados médios e nas classes trabalhadoras assalariadas e precarizadas", escreve Jorge Branco, sociólogo e professor, mestre e doutorando em Ciência Política.
Eis o artigo.
O avanço da pandemia da Covid-19 no Brasil está acelerando as crises que já haviam se formado ou desenvolvido antes desse período.
A crise econômica sobrevive e recrudesce desde a explosão da crise de financiamento em 2008. Em especial, a partir de 2013 tornou-se forte no país e assumiu contornos mais dramáticos em 2017 devido às opções austericidas de Michel Temer. Desde 2019 Bolsonaro aprofunda o cenário com medidas de concentração de renda adotadas sob o comando de Paulo Guedes.
A crise política vem, de forma continuada, desde os questionamentos à legitimidade do governo Dilma Rousseff, já no dia seguinte às eleições de 2014. O quadro foi progressivamente se agravando com o esforço político feito pelo bloco neoliberal no processo de impeachment de Dilma e na sustentação do esquálido e moribundo, porém obediente, governo Temer.
O resultado destas crises foi um crescimento dos setores neofascistas, neoconservadores e autoritários que ganharam apoio popular, exatamente pelo desalento que se abateu sobre os setores mais empobrecidos e sobre a pequena burguesia desesperada. Setores estes com os quais a burguesia neoliberal se viu obrigada a compor um bloco para garantir o poder, através da eleição em 2018, de um governo cindido desde seu início. Um Bloco no Poder onde se confrontam a necessidade de estabilização institucional, sentida pela burguesia internacionalizada e financeirizada, e a necessidade de rupturas progressivas e sucessivas com os elementos do estado social da lúmpen burguesia regional, ávida por extorquir os salários dos trabalhadores antes que o barco afunde.
Esta aliança, entre rentistas, bancos e multinacionais com essa burguesia comercial local, abriu espaço para todo o tipo de contrabandista, sonegador, alto burocrata fundamentalista, militar ressentido e miliciano, transformarem em política e virtude sua forma de exploração e segregação dos trabalhadores, em especial dos trabalhadores precários das vilas e favelas mais empobrecidas e desassistidas de nossas cidades.
A crise sanitária da pandemia atualizou essas cisões e crises no interior do Bloco no Poder. Grandes intelectuais orgânicos da burguesia financeira demonstram rejeição ao Governo Bolsonaro. Economistas, como André Lara Resende e Armínio Fraga, governadores e prefeitos conservadores, como João Dória, Wilson Witzel e BrunoCovas, empresas de comunicação e suas vozes, como a Rede Globo e Luciano Hulk, têm se distanciado e rejeitado as medidas do governo Bolsonaro. Não se trata somente da genocida política sanitária de Bolsonaro, mas também de sua política econômica, que apressa o Brasil em direção à anomia e à hipótese dos golpes autoritários.
A manutenção do governo Bolsonaro é, progressivamente, uma situação cada vez mais instável e difícil. Suas condutas, seus movimentos, suas declarações, seus enfrentamentos na conjuntura da pandemia, tanto nos aspectos sanitários quanto nos aspectos econômicos, aumentam a cisão entre as frações que compõem seu bloco de sustentação; e estão a erodir seu apoio em setores de empregados médios e nas classes trabalhadoras assalariadas e precarizadas.
A pesquisa publicada neste mês de março, pelo Valor Econômico [1], indica que 50% dos entrevistados desaprovam a ação de Bolsonaro para enfrentar a “crise do Coronavírus” e que 64% não confiam que o Presidente Bolsonaro tenha capacidade de enfrentá-la em um contexto onde 84% concordam com as medidas de proibir aulas, aglomerações e recomendar o toque de recolher às pessoas, ou seja com as medidas de isolamento social. As manifestações dos bolsonaristas ricos contra as medidas de proteção à vida, como as ‘carreatas da morte”, foram recebidas com críticas e reações tanto populares quanto institucionais. Foi assim em Porto Alegre onde a carreata foi vaiada e recebida com panelaço, em Salvador não teve condições de percorrer as ruas por falta de apoiadores ou em Belém onde foi impedida pela polícia com base nos decretos de ordem pública.
Crescem as movimentações políticas, inclusive entre militares, pela hipótese do afastamento de Bolsonaro, seja pelo impeachment ou por renúncia - caminho que pode permitir maior controle da sucessão aos setores conservadores do governo.
O impeachment fatalmente mobilizaria a oposição e, talvez, acabasse por extrapolar para mobilizações sociais, o que poderia dificultar o controle do processo. Contudo, processos de impeachment e renúncia nunca são iguais uns aos outros.
Jânio Quadros renunciou em agosto de 1961, após um breve governo sem base parlamentar, sem apoio dos militares, distanciado dos EUA e que não expressava uma afirmação ideológica com capacidade de mobilização contra a ordem, seja à esquerda ou à direita. O governo de Jânio Quadros implementou cortes nos gastos públicos para conter a inflação, medidas estas de cunho liberal. O resultado foram perdas salariais fortes, que geraram críticas entre os trabalhadores. Por outro lado, tentou controlar a remessa de lucros ao exterior, contrariando setores conservadores que o haviam apoiado. Sua renúncia abriu caminho para a unificação da frente empresarial e militar que levou ao golpe militar de 1964, com apoio dos EUA.
Em 1992, Fernando Collor de Melo sofreu o impeachment, já isolado após o confisco da poupança, num acelerado processo de desregulamentação da economia que, se o aproximou do capital volátil internacional, o distanciou da ainda autárquica indústria brasileira, que desde este período entrou em declínio contínuo, tanto econômico quanto político. Este processo marcou o mergulho da burguesia brasileira no neoliberalismo e sua financeirização, consolidando a hegemonia política dos setores rentistas, após longas décadas de expansão sob a direção desenvolvimentista, Sua base de apoio se desmanchou “no ar”, vindo a se reorganizar depois, sob a política do “Plano Real” de Itamar Franco e Fernando Henrique.
O impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, foi a expressão do rompimento de um Bloco no Poder construído no contrafluxo da tendência mundial de radicalização neoliberal. Um bloco que, sob hegemonia de um setor autárquico da burguesia, envolveu setores das classes trabalhadoras e apostou em um projeto de aquecimento do mercado interno, com base em requisitos parcialmente desenvolvimentistas. O impeachment da Dilma foi, em última análise, o afastamento dos setores da classe trabalhadora do bloco no poder, com o sentido estratégico de desobstruir o caminho para a retomada de um programa de austeridade e garantia da remuneração de capital, para o que seria necessária a diminuição dos sistemas de proteção social. Além da operação de desestabilização do setor rentista da economia e da nova direita, também a erosão do apoio popular em função das medidas recessivas tomadas, em especial no ano de 2015, criou as condições para a deposição.
De um modo geral e não detalhado, o que há em comum entre os dois primeiros episódios críticos no governo Bolsonaro, a renúncia de Jânio e o impeachment de Collor, é a incapacidade de resistência desses governos à própria queda. Já o que caracterizou o processo de queda da Dilma foi a retirada de setores da classe trabalhadora do Bloco no Poder, ainda que ocupassem um papel não dirigente.
As hipóteses de destronamento de Bolsonaro não navegam pelas mesmas águas de nenhum destes processos políticos. Em comparação ao processo de Dilma, a deposição de Bolsonaro não tem o objetivo de excluir os trabalhadores do Bloco no Poder que sustenta Bolsonaro, já que estes nunca incorporaram o campo político do governo. Em relação aos processos de Jânio e Collor a diferença está na capacidade de reunir recursos para resistir. Bolsonaro ainda reúne alguns relevantes.
A política de sustentação de Bolsonaro está baseada na emergência de uma direita de caráter neoconservadora e neofascista, mobilizada, ideologizada e politizada. Reúne um bloco de ressentidos ideológicos que pensam ter perdidos direitos naturais baseados na supremacia racial, no patriarcado e nos valores culturais religiosos fundamentalistas. As transformações de hierarquia social em curso no Brasil, em especial no período dos governos de política Lulista, de 2003 a 2014, com a diminuição da pobreza somada a uma acelerada corrosão da economia brasileira, de 2015 aos dias de hoje, criaram as bases para um ‘contra-ataque’ reacionário, com um programa de restauração da tradição, da família e do direito dos ricos. A aliança destes setores da direita reacionária com a elite empresarial rentista foi o que deu condições para a ascensão deste bloco ao governo.
Ainda que os setores rentistas internacionalizados da economia percebam a dimensão da crise a que Bolsonaro está levando a economia e a política, e comecem lentamente a se distanciar dele, refletindo nas críticas das empresas de comunicação, no distanciamento dos governadores, na perda de base no Congresso e em revezes no Supremo Tribunal Federal e no sistema de justiça, Bolsonaro ainda possui condição de resistência, mesmo que tenha perdido grande parcela de sua capacidade de direção política, criando um vai-e-vem de decisões, desencontros e derrotas capazes de ampliar a crise em um contexto crescente da pandemia.
O tema de sua deposição está em aberto, está na pauta e em crescimento. Porém, não resolvida exatamente pela capacidade de Bolsonaro mobilizar a nova direita reacionária. Um caminho pode ser seu afastamento por uma renúncia acordada, o que seria o auto reconhecimento de sua total inépcia, necessitando para isto uma deterioração política na unidade deste campo reacionário - que se mantém mobilizado em torno de causas ideológicas e de valores - até sua perda total de apoio, inclusive na extrema direita que vai para as ruas e atua nas redes sociais, catalisando opinião.
O outro caminho, a deposição pelo impeachment, pressuporia um crescimento da oposição no sentido amplo, mas a de caráter popular em especial, e uma disposição de enfrentamento político maior. Neste segundo caminho é de se supor que haja resistência de Bolsonaro e de sua base de extrema-direita. Neste contexto, não se pode, sob pena de subestimar a luta política e a disposição da nova direita brasileira, descartar a hipótese de viés autoritário, onde Bolsonaro e seu campo político, incluindo-se parcela dos militares e do judiciário, poderiam adotar medidas desdemocratizantes como a suspensão das eleições de 2020, para que estas não virem um plebiscito contra seu governo. A adoção do Estado de Defesa viria para concentrar poder e diminuir o dos governadores, prefeitos e Congresso, como estratégia de sobrevivência dos setores mais autoritários e de viés fascista e regional, dependentes da manutenção do governo para consolidar sua acumulação de capital e autoridade.
Inspiração e talvez autorização superior não faltam. Nesta semana (19/03), com a conveniente discrição dos meios de comunicação e das vozes reacionárias e extremistas do bolsonarismo, o instável e deslegitimado governo do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu [2], fechou o parlamento e os tribunais israelenses [3]. BenjaminNetanyahu concentrou poderes sob o manto da excepcionalidade da “guerra contra o Coronavírus”, em um claro passo adiante na ideia de um processo de desdemocratização e autoritarismo em fomentação no mundo. Trata-se de um aliado central da política de Donald Trump e do setor de defesa dos EUA. O quadro é semelhante na Hungria de Viktor Orban, na Bulgária de Boyko Borisov, nas Filipinas de Rodrigo Duterte, entre outros arroubos da nova direita no mundo.
A queda de Bolsonaro está na ordem do dia, mas trata-se de uma luta entre forças poderosas, múltiplas e paradoxais, inclusive as forças da sustentação de Bolsonaro. O desfecho se dará quando houver uma nova coalizão política, que tenha força suficiente para deslocar uma fração de um campo para o outro.
Notas:
[1] Brasileiros temem crise devastadora, segundo pesquisa. Leia aqui.
[2] Sobre isto ver o oportuno artigo de Eric Kayser “Coronagolpe ou como a pandemia pode ser usada para criar ditaduras”. Leia aqui.
[3] Coronavírus: Netanyahu fecha Parlamento e israelenses protestam. Leia aqui.
Fonte: IHU
Assinar:
Postagens (Atom)










